BC mantém ritmo e eleva Selic a 12,75%, maior patamar em 6 anos

quarta-feira, 4 de março de 2015 21:18 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve o ritmo de aperto monetário e elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 12,75 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado, deixando em aberto os próximos passos ao não dar indicações em um curto comunicado.

Com a decisão anunciada nesta quarta-feira, a Selic volta ao mesmo patamar de janeiro de 2009, diante de preocupações inflacionárias, apesar de temores com uma recessão.

"Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,75 por cento a.a., sem viés.", informou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em comunicado.

Pesquisa Reuters mostrou que as expectativas dos analistas eram praticamente unânimes de alta de 0,5 ponto da taxa básica de juros, diante do cenário de inflação elevada. Apenas cinco dos 48 economistas consultados esperavam um aumento menor, de 0,25 ponto percentual, principalmente devido ao risco de que os juros altos desacelerem ainda mais a economia.

"Essa manutenção do comunicado vai levar o mercado a precificar outra alta de 50 pontos para a próxima reunião. A manutenção do comunicado deixa o Copom... bastante livre para tomar qualquer decisão em função dos dados que surgirem ao longo do caminho", disse o economista-chefe do Santander, Mauricio Molan.

Ele prevê esta alta, no entanto, como a última do atual ciclo de aperto monetário e estima que Selic começará a cair a partir do quarto trimestre.

No fim de outubro, o Copom deu início ao atual ciclo de aperto monetário ao elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão surpreendente e que contou com apoio de todos os membros do comitê. No encontro de dezembro, o Copom acelerou o ritmo e elevou a taxa em 0,5 ponto percentual, elevando novamente a Selic em 0,5 ponto percentual na reunião de janeiro.

O comunicado conciso da decisão desta quarta-feira, assim como o da última decisão, deixa a porta aberta para os próximos passos e não compromete o BC com a próxima decisão sobre a taxa básica de juros.

"O anúncio veio exatamente o que a gente esperava: curto, sem maiores explicações e com unanimidade... Não dá para saber se o BC vai ser mais duro ou menos duro. Vai ser duro quando necessário e o necessário depende do que vai acontecer ao longo de 45 dias", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.   Continuação...

 
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de um evento no Senado Federal, em Brasília, no ano passado. 16/12/2014 REUTERS/Joedson Alves