BCE deve elevar projeções de crescimento e detalhar plano de compra de bônus

quinta-feira, 5 de março de 2015 10:20 BRT
 

Por John O'Donnell e Balazs Koranyi

NICÓSIA/FRANKFURT (Reuters) - Ávido para manter-se discreto em relação à crise grega, o Banco Central Europeu (BCE) vai se focar nas perspectivas melhores de crescimento nesta quinta-feira e apresentar alguns detalhes, mas não todos, de seu plano de compra de bônus de mais de 1 trilhão de euros.

O BCE, que se reúne em Chipre e deixou inalteradas em mínimas recordes as taxas de juros, provavelmente elevará as projeções de crescimento para refletir uma série de dados positivos surpreendentes.

No entanto, o banco central pode reduzir as projeções de inflação conforme incorpora o efeito total da queda dos preços do petróleo, sustentando a decisão de comprar 60 bilhões de euros em bônus por mês a partir de março para alimentar a inflação.

Na reunião desta quinta-feira, o BCE deixou a taxa referencial de refinanciamento, que determina o custo do crédito na economia, em 0,05 por cento.

O BCE também manteve a taxa sobre depósitos em -0,20 por cento, o que significa que bancos precisam pagar para manter fundos no banco central, e manteve sua taxa de empréstimo em 0,30 por cento.

O banco ainda tem muito que avançar para convencer os mercados que seus planos serão eficazes. Apenas metade dos economistas consultados pela Reuters acham que as compras de bônus vão ajudar a inflação a subir na direção da meta de perto mas abaixo de 2 por cento, e metade acredita que as compras serão prorrogadas para além de setembro de 2016.

O BCE tem dito que sua impressão de dinheiro vai durar "ao menos" até setembro de 2016 e até que surja um "ajuste sustentado" na trajetória de inflação. Os mercados analisarão as projeções econômicas atualizadas da equipe do BCE com muito interesse.

"De uma perspectiva macroeconômica existem duas questões: em quanto eles revisarão para cima o crescimento no médio prazo. No entanto, a questão mais importante é em que nível a inflação é projetada em 2017", disse o economista do RBS Richard Barwell.   Continuação...