Boas perspectivas para açúcar e etanol mantêm indefinido mix da nova safra, diz Job

quinta-feira, 5 de março de 2015 14:57 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A demanda por etanol na próxima safra do centro-sul, que começa em poucas semanas, deverá crescer expressivamente com a mistura maior do biocombustível na gasolina e uma mudança tributária em Minas Gerais, mas ainda não é possível dizer que a moagem será mais "alcooleira", uma vez que os preços do açúcar estão tendo recuperação em real por conta do dólar mais forte.

A avaliação é do consultor Júlio Maria Borges, da Job Economia, para quem o "mix" de cana na temporada 2015/16 (de abril a março) ainda não está definido.

"O mercado de açúcar está mudando a favor de uma remuneração melhor para o produtor em reais... Não estou falando em preço (no mercado internacional), não adianta falar em preço de açúcar sem falar em taxa de câmbio", disse.

O dólar operava em alta de 0,8 por cento, acima de 3 reais, na tarde desta quinta-feira, após ter fechado na véspera no maior patamar desde agosto de 2004, o que estimula vendas do açúcar do Brasil para a exportação, pressionando os mercados globais. O bruto de Nova York, por sua vez, atingiu o menor valor desde 2010 na quarta-feira.

"O viés alcooleiro que vimos nas últimas duas safras --pela melhor remuneração do etanol ante o açúcar-- não está garantido. Ele pode existir, dependendo dos preços do açúcar, mas ele pode deixar de existir", afirmou.

De acordo com cálculo da Job Economia, o contrato março na bolsa de Nova York, que venceu recentemente, ficou praticamente estável em 0,40 real por libra-peso nos últimos meses, em preços muito melhores do que os vistos no ano passado para o vencimento anterior, e alguns contratos futuros, até 2016, chegam a pagar 20 por cento acima dos daqueles 0,40 real.

"Com esse sinal de mudança no preço do açúcar, a vantagem do etanol diminui", afirmou o consultor.

  Continuação...