IPCA sobe 1,22% em fevereiro e tem em 12 meses maior alta em quase 10 anos

sexta-feira, 6 de março de 2015 12:16 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira atingiu 1,22 por cento em fevereiro sob a pressão principalmente da gasolina, levando a taxa acumulada em 12 meses ao maior nível em quase uma década e as expectativas para o ano para perto de 8 por cento em meio aos esforços do Banco Central para combater o alto nível dos preços.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 7,70 por cento em 12 meses até fevereiro, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse é o maior nível desde maio de 2005, quando o índice chegou a 8,05 por cento, e supera em muito o teto da meta do governo, de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

A alta mensal foi a mais forte para os meses de fevereiro desde 2003, quando o índice subiu 1,57 por cento.

"Os impostos tiveram uma influência significativa para a alta do IPCA de fevereiro. Houve impacto do PIS/Cofins na gasolina, do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nos carros e itens de perfumaria", destacou a economista do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Ela ainda citou o impacto do dólar, que subiu 6,19 por cento sobre o real em fevereiro e mantém a trajetória de alta, o que deve continuar afetando a inflação.

"O que se vê agora é uma inflação represada no ano passado que veio para este início de ano. Nos últimos anos, itens monitorados como ônibus, gasolina e energia vinham contribuindo muito para conter a taxa, e nesse início de ano a pressão (deles) tem sido forte e isso tem modificado o perfil do IPCA", completou a economista do IBGE.

Os resultados do IPCA ficaram acima das expectativas levantadas em pesquisa da Reuters, de alta de 1,08 por cento na base mensal e de 7,54 por cento em 12 meses.   Continuação...

 
Bomba de gasolina em posto na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. 12/01/2015 REUTERS/Ricardo Moraes