Governo não vê descontrole com câmbio, reforça que trabalha sem meta para dólar

sexta-feira, 6 de março de 2015 13:43 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O governo não vê descontrole com câmbio apesar da alta seguida do dólar nas últimas sessões, afirmou nesta sexta-feira o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, avaliando que o movimento corrige em parte apreciação do real em anos recentes.

Nesta sessão, a moeda norte-americana chegou a atingir nova máxima em 11 anos, acima do patamar de 3 reais.

Além de persistirem preocupações sobre o futuro do ajuste das contas públicas brasileiras, dados melhores que o esperado sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos ajudavam a embalar a divisa nesta manhã, em meio a apostas de que os juros devem começar a subir em breve na maior economia do mundo.

"Não é uma depreciação que causa nenhum descontrole, é simplesmente a mudança de patamar da taxa de câmbio que tem um efeito restritivo no curto prazo --afeta a inflação, afeta o crescimento--, mas tem um efeito positivo no médio prazo, ao recuperar a competitividade da indústria", disse Barbosa.

Durante evento promovido pela Câmara de Comércio França Brasil em São Paulo nesta sexta-feira, o ministro afirmou que a depreciação do real "basicamente corrige um pouco" a valorização que ocorreu nos últimos anos, impulsionada pela alta das commodities.

Com o movimento contrário ocorrendo agora, há uma pressão no mundo todo em direção à alta da moeda norte-americana, o que se traduz, no caso do Brasil, a um retorno à taxa de câmbio real para o nível de 2006, completou Barbosa.

Questionado por jornalistas, ele afirmou que o governo não trabalha com uma meta de câmbio, atuando apenas para administrar sua volatilidade.

"Não tenho meta para o câmbio, a gente trabalha com qualquer taxa de câmbio", disse.

Segundo o ministro, a desvalorização do real traz em contrapartida a possibilidade de discutir uma maior integração comercial do país com economias mais avançadas.

(Reportagem de Renan Fagalde)

 
Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, em Brasília.  05/01/2015  REUTERS/Ueslei Marcelino