Fila de navios para soja cresce 61% em uma semana no Brasil após protestos

sexta-feira, 6 de março de 2015 18:48 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A fila de navios esperando para carregar soja nos portos brasileiros cresceu 61 por cento em uma semana, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira, em um momento de grande chegada de embarcações para carregar a nova safra brasileira e após uma greve de caminhoneiros que atrapalhou o escoamento da produção.

O número de embarcações ancoradas nas proximidades de portos brasileiros saltou para 82 nesta sexta-feira, ante 51 uma semana atrás, enquanto o volume de soja em grãos previsto para ser carregado nesses navios totaliza 5,17 milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Williams analisados pela Reuters.

Os embarques nos portos do Sudeste e Sul do Brasil foram afetados nas duas últimas semanas por uma paralisação de caminhoneiros que bloquearam estradas e impediram o escoamento normal da safra.

Além disso, este é o período de maior chegada de navios para carregar a soja recém-colhida.

"Isso é comum nesta época. Os navios vão chegando, se acumulando, vai atrasando (o embarque)... Mas deve ter havido algum contratempo por causa da greve", disse o diretor da Williams, Glynne Williams.

O gerente operacional da agência marítima Orion, em Santos, Willian Januzzi, afirma que tem havido falta de grãos para embarque no porto do litoral paulista, aquele mais movimenta soja no país.

"Está havendo falta de carga no porto, em quase todos os terminais de grãos. Isso acontece especialmente para grãos, porque eles chegam do Centro-Oeste (onde houve paralisações)", disse ele, destacando que o embarque de açúcar, por exemplo, está normal, uma vez que o produto é originado principalmente no interior de São Paulo, onde não houve bloqueios de estradas.

O diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, disse à Reuters na quarta-feira que a recomposição dos estoques de grãos nos portos brasileiros deverá demorar uma semana, após duas semanas de protestos que "baixaram muito" os estoques nos portos.   Continuação...