Dólar sobe mais de 1% em 5 sessões e tem maior alta semanal ante real desde 2008

sexta-feira, 6 de março de 2015 17:26 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar marcou a maior alta semanal desde novembro de 2008, avançando mais de 1 por cento ante o real em todos os pregões desta semana, inclusive nesta sexta-feira.

O movimento desta sessão veio após o mercado de trabalho dos Estados Unidos criar mais vagas do que o esperado em fevereiro, o que reforçou as apostas de que os juros devem começar a subir em breve na maior economia do mundo.

A moeda norte-americana subiu 1,49 por cento nesta sexta-feira, a 3,0565 reais na venda, maior nível de fechamento desde 27 de julho de 2004. Na semana, a divisa acumulou alta de 7,02 por cento, maior apreciação desde a semana encerrada em 21 de novembro de 2008, quando subiu 8,38 por cento.

A economia norte-americana abriu 295 mil postos de trabalho em fevereiro, acima da projeção de economistas consultados em pesquisa da Reuters, que previam 240 mil. O resultado deu fôlego às expectativas de que o aperto monetário nos EUA terá início em meados do ano, o que poderia atrair para o país recursos aplicados em outros mercados.

A divisa norte-americana se fortalecia ante as principais moedas globais, atingindo a máxima em 11 anos e meio contra uma cesta de divisas e o maior nível desde 2003 em relação ao euro.

"Toda a região (América Latina) está sofrendo, mas o real é especialmente vulnerável, em função dos problemas fiscais", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

No Brasil, preocupações sobre o futuro do plano de ajuste das contas públicas têm elevado as cotações do dólar nas últimas semanas. Alguns investidores têm evitado ativos brasileiros, temendo que o governo não seja capaz de resgatar a credibilidade da política fiscal.

A disparada da moeda norte-americana levava muitos operadores a especular que o BC poderia elevar a oferta de swaps cambiais de forma a rolar integralmente o lote que vence em abril. Essa expectativa contribuiu para manter o dólar em baixa pela manhã.   Continuação...

 
Casa de câmbio no Rio de Janeiro. 04/08/2003 REUTERS/Bruno Domingos