Mercado físico de café do país está travado, apontam especialistas

sexta-feira, 6 de março de 2015 18:55 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado físico de café arábica do Brasil está virtualmente paralisado, com os compradores tentando repassar para as ofertas a baixa registrada nos contratos futuros de Nova York, e os produtores retraídos, à espera de melhores cotações.

Além disso, a grande oscilação de valores diários, com altas e baixas expressivas em Nova York, também prejudicou os negócios nesta semana.

Segundo o Escritório Carvalhaes, tradicional corretora de Santos, os produtores aguardam "preços mais realistas, condizentes com o estado dos cafezais depois da longa seca e das altas temperaturas" dos dois últimos verões.

"Com a forte crise econômica e política, inflação se aproximando dos 8 por cento ao ano, dólar ultrapassando a barreira dos 3 reais e, portanto, custos de produção em alta, consideram mais prudente ficar com o café do que aceitar vendê-lo por preços que acreditam artificialmente pressionados e fora da realidade", afirmou Carvalhaes nesta sexta-feira em nota.

Os contratos futuros do café arábica negociados em Nova York atingiram nesta semana uma mínima de 13 meses, com a fraqueza do real frente ao dólar, o que tende a favorecer vendas para a exportação, além de uma melhora do clima para a safra brasileira, segundo operadores dos EUA.

A moeda norte-americana subiu 1,49 por cento nesta sexta-feira, a 3,0565 reais na venda, maior nível de fechamento desde 27 de julho de 2004.

Nesta sexta-feira, o contrato maio fechou em alta de 4,85 centavos, ou 3,6 por cento, a 1,399 dólar por libra-peso, mas encerrou a semana em baixa de 0,4 por cento, a quarta perda semanal consecutiva. Durante a semana, houve sessões com alta de cerca de 6 por cento e outras com baixa de 6 por cento.

Na sessão desta sexta-feira, a alta no mercado nova-iorquino impulsionou os preços no Brasil.   Continuação...