Bovespa cai 3% na semana por preocupação com impacto de cena política em ajuste fiscal

sexta-feira, 6 de março de 2015 19:14 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista terminou em queda nesta sexta-feira, encerrando uma semana marcada por preocupações com os riscos da deterioração na cena política ao ajuste fiscal e forte valorização do dólar, com balanços corporativos também no radar.

No dia, o Ibovespa caiu 0,76 por cento, a 49.981 pontos, acumulando um declínio de 3,1 por cento na semana. O volume financeiro no pregão somou apenas 5,38 bilhões de reais.

"A cena política pesou bem forte em todos os ativos locais, que mostraram um desempenho inferior bem claro ante seus pares da América Latina e de outros mercados emergentes", destacou Thiago Montenegro, trader na Quantitas Asset Management.

Bancos ditaram a queda do Ibovespa nesta sexta-feira, com Itaú Unibanco caindo 2,67 por cento e Bradesco recuando 1,21 por cento, enquanto Banco do Brasil cedeu 2,40 por cento.

Há preocupação sobre a exposição de instituições financeiras a companhias ligadas às investigações de corrupção na Petrobras.

Investidores aguardam a divulgação da lista de pedidos de abertura de inquérito apresentada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações da operação Lava Jato.

As ações ordinárias da Petrobras também contribuíram com a queda do índice, fechando em baixa de 1,3 por cento, enquanto as preferenciais caíram 0,43 por cento.

Ainda na ponta negativa, CCR caiu 2,78 por cento, em meio à forte alta dos juros futuros, um dia depois de divulgar balanço mostrando que fechou o quarto trimestre com avanço de 25,3 por cento no lucro líquido.

Já o balanço de MRV Engenharia repercutiu bem e a ação fechou em alta de 4,55 por cento, com analistas chamando atenção para a geração de caixa da empresa, que cresceu 46,5 por cento na comparação anual. A empresa ainda disse que espera repassar preços em linha com a inflação.

O dólar voltou a chamar a atenção e respingar na Bovespa, colocando ações de papel e celulose como Fibria e Suzano Papel na ponta positiva e ajudando Vale a reverter perdas iniciais por causa do cenário de fraqueza do minério de ferro.