Ex-gerente da Petrobras Barusco diz que Vaccari gerenciava propina do PT

terça-feira, 10 de março de 2015 19:11 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-gerente-executivo da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, um dos principais operadores do esquema de corrupção na estatal, afirmou nesta terça-feira que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, gerenciava o recebimento de propinas para o partido no sistema que envolveu a petroleira, empreiteiras e políticos.

Barusco, que firmou um acordo de delação premiada com a Justiça, declarou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que o PT teria recebido de 150 milhões a 200 milhões de dólares em propina, reafirmando declarações dadas à Justiça. O montante, segundo ele, foi estimado com base nos valores que ele próprio recebeu.

"A gente sempre combinava esse tipo de assunto com o João Vaccari", afirmou Barusco, ressaltando não saber como o tesoureiro do PT administrava os recursos recebidos e se os valores entravam de forma legal, como doação registrada, para o partido político.

Em nota, o PT afirmou que Vaccari nunca tratou de "finanças ou doações para o partido" com Barusco, "delator que busca agora o perdão judicial envolvendo outras pessoas em seus malfeitos".

O PT acrescentou que Barusco não apresentou "nenhuma prova ou mesmo indício que liguem o secretário João Vaccari Neto ao recebimento de propinas" e reiterou que o partido só recebe doações legais.

Em fevereiro, o partido processou o ex-gerente pelas alegações feitas contra Vaccari, de que teria intermediado a arrecadação ilegal de recursos para o partido.

Vaccari prestou depoimento no início de fevereiro à Polícia Federal em São Paulo. O tesoureiro foi levado em uma condução coercitiva pela PF e depois liberado.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal autorizou abertura de inquérito contra Vaccari, que consta numa lista de investigados que inclui também os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além de dezenas de outros parlamentares, incluindo integrantes do PT, PP, PMDB, PSDB e PTB, no âmbito das investigações de corrupção na Petrobras.

Em depoimento à CPI, Barusco afirmou não conhecer outro operador do PT, a não ser Vaccari.   Continuação...

 
Ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco na CPI em Brasília. 10/3/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino