Dólar interrompe série de seis altas e cai 0,82% ante real

terça-feira, 10 de março de 2015 21:44 BRT
 

Por Camila Moreira e Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta terça-feira, interrompendo a série de seis altas consecutivas, devido a operações de ajustes de portfólio, mas continuou oscilando perto das máximas em quase 11 anos em meio a preocupações com a política monetária dos Estados Unidos e a situação política e econômica do Brasil.

A moeda norte-americana caiu 0,82 por cento, a 3,1040 reais na venda, após subir mais de 1 por cento na máxima da sessão, a 3,1735 reais, maior cotação intradia desde o fim de maio de 2004. Na mínima, a divisa também caiu mais de 1 por cento, a 3,0898 reais.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.

O mercado vem se mantendo atento às dificuldades que o governo vem enfrentando para implementar medidas de reequilíbrio das contas públicas, o que ganhou novo ar de incerteza no fim de semana após as manifestações contrárias à presidente Dilma Rousseff.

"O dólar vem subindo com força e quem precisa vender não sabe se entra agora ou mais tarde. Por isso, é normal o câmbio dar alguns respiros, embora a tendência ainda seja definitivamente de alta", disse o operador da corretora Walpires José Carlos Amado.

Nesta sessão, o dólar se fortaleceu nos mercados externos, refletindo expectativas de que os juros norte-americanos comecem a subir em breve, o que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em outros mercados. A moeda dos EUA atingiu a máxima em doze anos contra o euro.

Para o economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto, "os investidores vão ficar muito cautelosos com ativos domésticos e preparados para assumir posições defensivas de olho em todos os sinais que saiam nos próximos dias".

Campos Neto avaliou que é muito difícil falar sobre um teto para a moeda norte-americana, "num momento como esse de muita incerteza e fatores locais e externos puxando para o mesmo lado".   Continuação...

 
Notas de dólar norte-americano são impresas em Washington, nos Estados Unidos. 14/11/2014 REUTERS/Gary Cameron