Ata do Copom mostra que BC não vê trégua para inflação em 2015

quinta-feira, 12 de março de 2015 13:37 BRT
 

Por Luciana Otoni e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central não vê mais a inflação iniciando trajetória de queda em 2015, em meio a forte reajuste de preços administrados e desvalorização do câmbio, mostrou a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Na ata divulgada nesta quinta-feira, o BC voltou a avaliar que a intensificação dos ajustes de preços relativos --realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres-- tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável, repetindo que os preços deverão continuar elevados este ano.

Mas o BC retirou da avaliação o trecho que afirmava que a inflação, "porém, ainda neste ano entra em longo período de declínio".

Em outra mudança, o BC afirmou que as decisões de política monetária serão tomadas visando a convergência da inflação para o centro da meta "ao longo do próximo ano", em lugar da expressão "no próximo ano", usada no documento de janeiro.

A meta de inflação é de 4,5 por cento com dois pontos percentuais de tolerância para cima ou para baixo. Na semana passada, o Copom manteve o ritmo de aperto monetário, elevando a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 12,75 por cento ao ano.

Com a deterioração do cenário para a inflação, os economistas reforçam previsão de nova alta da taxa Selic em abril e aguardam mais sinais da autoridade monetária no Relatório de Inflação para definirem a intensidade do aperto. O relatório será divulgado no fim deste mês em data a ser marcada.

"Acho que não é um BC que está propenso a adotar uma dose de juros mais elevados", afirmou o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall, acrescentando que a alta da Selic deverá ser de 0,25 ou 0,50 ponto percentual.

Kawall reforçou que a exclusão do parágrafo sobre a entrada da inflação em longa trajetória de declínio em 2015 indica que os preços vão continuar pressionados, citando o impacto do repasse cambial. Para ele, o BC passa a indicar um movimento mais gradual de convergência da inflação para a meta no ano que vem.   Continuação...

 
Foto da sede do Banco Central em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino