Gabrielli diz não acreditar em corrupção sistêmica na Petrobras

quinta-feira, 12 de março de 2015 20:25 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Atos de corrupção na Petrobras podem ter sido realizados "às margens" da estatal, entre alguns funcionários e agentes externos, afirmou nesta quinta-feira o ex-presidente da petroleira José Sergio Gabrielli, ressaltando desconhecer práticas ilegais durante sua gestão.

Ele disse ainda não acreditar "na tese de que há corrupção sistêmica na Petrobras", em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de corrupção na estatal.

"Os processos de compra são gigantescos e são em volume muito grandes. São processos que não são individuais, mas procedimentados, com regras definidas... Não é possível, portanto, identificar esse comportamentos nos procedimentos internos da Petrobras", declarou.

O ex-executivo acrescentou ainda que, quando preços maiores do que os normais são identificados nas negociações, as suspeitas de irregularidades são investigadas na estatal.

Ele lembrou que irregularidades não foram comprovadas em auditorias externas e internas, quando era o principal executivo da companhia.

Gabrielli foi presidente da estatal entre os anos de 2005 e 2012 e negou ter conhecimento de atos ilícitos dentro da Petrobras durante sua gestão.

Na última terça-feira, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco declarou à CPI que começou a receber valores ilícitos entre 1997 e 1998, em atos de corrupção de iniciativa própria, mas que o esquema teria ficado "institucionalizado" a partir de 2004.

Gabrielli rebateu a acusação de Barusco de que a corrupção foi institucionalizada na estatal, mas reconheceu que isso não impede que não tenham ocorrido irregularidades.

Ele também negou ter se relacionado fora do universo profissional com os ex-diretores Nestor Cerveró e Renato Duque, além de Barusco, acusados de corrupção pela Polícia Federal no esquema de desvios na estatal.   Continuação...

 
Ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli durante sessão da CPI da Petrobras, em Brasília, nesta quinta-feira. 12/03/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino