Dólar sobe mais de 3% e bate em R$3,28, maior nível em 12 anos

sexta-feira, 13 de março de 2015 13:04 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia mais de 3 por cento, superava 3,26 reais e renovava as máximas em quase doze anos, após a agência de notícias Bloomberg publicar que o governo não tentará segurar a escalada da moeda norte-americana, citando uma fonte.

A pressão cambial tem sido originada por investidores buscando proteção em meio à turbulência política que vem dificultando a aprovação de medidas para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras.

O dólar também avançava nos mercados externos, antecipando-se a uma possível sinalização do Federal Reserve na semana que vem de que a alta dos juros dos EUA está próxima.

Às 12h59, o dólar subia 3,21 por cento, a 3,2630 reais na venda, após subir em oito das últimas nove sessões e acumular alta de mais de 10 por cento desde o início do mês. Na máxima do dia, atingiu 3,2815 reais, maior cotação intradia desde abril de 2003.

"O nosso horizonte está muito ruim e, para piorar, tem as manifestações no fim de semana", disse o estrategista da corretora Coinvalores, Paulo Celso Nepomuceno, referindo-se aos protestos em favor do impeachment de Dilma. "O investidor estrangeiro diz: 'vou sair por enquanto e volto quando tudo se resolver' e isso estressa o mercado".

A principal preocupação é que, à medida que a popularidade da presidente Dilma Roussseff cai e cresce a rebeldia na base governista no Congresso, torna-se cada vez mais custoso para o governo implementar as dolorosas medidas de ajuste e resgatar a credibilidade da política fiscal brasileira.

Essa perspectiva tem sido corroborada também pelos desdobramentos do escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, que vem assustando investidores estrangeiros.

Os ruídos em torno do futuro do programa de intervenções diárias do Banco Central no câmbio completavam o quadro de apreensão doméstica. O BC vem vendendo swaps cambiais diariamente desde agosto de 2013 para oferecer proteção cambial e limitar a volatilidade, em um programa marcado para durar pelo menos até o fim deste mês.   Continuação...

 
Notas de US$1 alçam voo em foto ilustração, perto de Sevilha. 16/11/2014 REUTERS/Marcelo Del Pozo