Dólar fecha na máxima em quase doze anos com incertezas locais

sexta-feira, 13 de março de 2015 20:16 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de mais de 2,5 por cento, no maior nível em quase doze anos, com investidores buscando proteção em meio à turbulência política que vem dificultando a aprovação de medidas para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras e às dúvidas sobre a intervenção do Banco Central.

O dólar também avançou nos mercados externos, antecipando-se a uma possível sinalização do Federal Reserve na semana que vem de que a alta dos juros dos EUA está próxima.

A moeda norte-americana subiu 2,77 por cento, a 3,2490 reais na venda, após subir a 3,2815 reais na máxima da sessão. O valor do fechamento é o mais alto desde abril de 2003.

Na semana, a moeda norte-americana subiu 6,3 por cento, acumulado alta de 13,76 por cento desde o início do mês.

"O nosso horizonte está muito ruim e, para piorar, tem as manifestações no fim de semana", disse o estrategista da corretora Coinvalores, Paulo Celso Nepomuceno, referindo-se aos protestos em favor do impeachment de Dilma. "O investidor estrangeiro diz: 'vou sair por enquanto e volto quando tudo se resolver' e isso estressa o mercado".

A principal preocupação é que, à medida que a popularidade da presidente Dilma Roussseff cai e cresce a rebeldia na base governista no Congresso, torna-se cada vez mais custoso para o governo implementar as dolorosas medidas de ajuste e resgatar a credibilidade da política fiscal brasileira.

Essa perspectiva tem sido corroborada também pelos desdobramentos do escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, que vem assustando investidores estrangeiros.

Os ruídos em torno do futuro do programa de intervenções diárias do Banco Central no câmbio completavam o quadro de apreensão doméstica. O BC vem vendendo swaps cambiais diariamente desde agosto de 2013 para oferecer proteção cambial e limitar a volatilidade, em um programa marcado para durar pelo menos até o fim deste mês.   Continuação...

 
Cédulas de dólar mostradas em Washington. 14/11/2014.   REUTERS/Gary Cameron