Na véspera do Fed, dólar sobe 1% e busca R$3,30 com incertezas locais

terça-feira, 17 de março de 2015 11:00 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava 1 por cento e buscava o nível de 3,30 reais pela primeira vez em quase onze anos nesta terça-feira, na véspera da decisão de política monetária do Federal Reserve, em meio a persistentes preocupações com a situação econômica e política brasileira e com as intervenções do Banco Central no câmbio.

Às 10h27, a moeda norte-americana subia 1,17 por cento, a 3,2824 reais na venda. Na máxima da sessão, atingiu 3,2844 reais, maior nível desde 2 de maio de 2003, quando foi a 3,3050 reais.

O quadro de apreensão doméstico tem levado investidores a adotar a filosofia de "na ausência de notícias, compre dólares", segundo o operador de um importante banco nacional. Para ele, notícias positivas podem gerar alívios pontuais, mas será necessária uma mudança significativa no cenário político para reverter a atual trajetória de alta da moeda norte-americana.

"Este é o novo normal: quando não acontece nada, o dólar sobe", afirmou.

Na noite passada, a presidente Dilma Rousseff tentou atenuar as tensões, afirmando que o governo federal tem obrigação de abrir diálogo de forma humilde e escutar quando acontecem protestos nas ruas, mas ao mesmo tempo tem de manter a postura firme sobre o que "acha importante"

A principal preocupação dos investidores é com o impacto das turbulências políticas sobre o ajuste fiscal promovido pelo governo, que vem parecendo cada vez mais difícil. Nesse sentido, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, buscou na véspera apoio às medidas de reequilíbrio das contas públicas, mesmo diante da atividade econômica em contração e da inflação elevada.

"De um lado temos uma presidente trabalhando para 'curar cicatrizes', de outro, um ministro da Fazenda operando em várias frentes visando à aprovação das medidas de ajuste fiscal o mais breve possível", escreveu o operador da corretora Correparti Luciano Copi em nota a clientes.

Analistas ressaltavam ainda que, mesmo no caso de um ajuste fiscal bem-sucedido, a percepção é que a economia brasileira precisa de um dólar forte para se recuperar. Autoridades do governo vêm dando sinais de que acreditam que as atuais cotações são mais próximas de um nível "justo".

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Mulher conta notas de dólar em casa de câmbio. 01/04/2013 REUTERS/Romeo Ranoco