Desafiando EUA, países europeus prometem aderir a banco capitaneado pela China

terça-feira, 17 de março de 2015 11:43 BRT
 

Por Yann Le Guernigou e Ben Blanchard

PARIS/PEQUIM (Reuters) - Alemanha, França e Itália declararam nesta terça-feira que concordaram em participar de um novo banco de investimento capitaneado pela China depois que a Grã-Bretanha enfrentou a pressão dos Estados Unidos, seu parceiro mais próximo, para se tornar membro fundador de uma empreitada vista em Washington como rival do Banco Mundial.

A manobra calculada para se unir ao projeto econômico expansionista, um carro-chefe de Pequim, foi um golpe diplomático nos EUA e reflete a ansiedade europeia para tirar proveito da economia de rápido crescimento da

China, a segunda maior do mundo.

    A ação surgiu em meio a negociações comerciais espinhosas entre Bruxelas e Washington, e no momento em que a União Europeia e governos da Ásia estão frustrados por o Congresso norte-americano ter freado uma reforma dos direitos de votação no Fundo Monetário Internacional (FMI) que daria mais voz à China e a outras economias emergentes na governança econômica global.

    O ministro da Fazenda alemão, Wolfgang Schaeuble, disse que seu país, a maior economia europeia e grande parceiro comercial de Pequim, será um membro fundador do Banco de Investimento de Infraestrutura Asiática (AIIB, na sigla em inglês).

    Um funcionário do Ministério da Fazenda francês afirmou à Reuters que Paris “confirma a participação da França e enfatiza o acordo entre Alemanha, França e Itália” na questão, revelada pelo jornal britânico Financial Times.

    O Tesouro da Itália declarou que os europeus concordaram em trabalhar para fazer com que a nova instituição “siga os melhores padrões e as melhores práticas em termos de governança, salvaguardas, dívida e políticas de aquisição”.

    O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, disse aos repórteres: “De fato estamos vendo essa ideia com bons olhos. Estamos analisando as modalidades precisas na França, e depois teremos a oportunidade de discuti-las com outros países europeus.”   Continuação...