Dólar chega a subir 1%, mas anula ganho e fecha em queda ante real

terça-feira, 17 de março de 2015 17:21 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta terça-feira, anulando os ganhos na última hora do pregão após chegar a subir mais de 1 por cento pela manhã, em movimento que coincidiu com o aumento dos ganhos da Bovespa, com operadores citando entradas de estrangeiros na bolsa.

A moeda norte-americana caiu 0,42 por cento, a 3,2310 reais na venda. Na máxima da sessão, atingiu 3,2844 reais, maior nível intradia desde 2 de maio de 2003, quando foi a 3,305 reais. Na mínima, alcançou 3,2254 reais na venda.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,3 bilhão de dólares.

O Ibovespa fechou com a maior alta desde janeiro, subindo 2,9 por cento. Profissionais no mercado de renda variável ouvidos pela Reuters disseram não ter visto evento específico, relacionando o movimento a uma correção técnica, amparada principalmente no fluxo de capital externo.

"Você sempre vê esse movimento: o dólar sobe, a bolsa fica barata; entra estrangeiro, a bolsa sobe e o dólar passa a cair", resumiu o superintentente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca.

A recuperação do real no fim da sessão contrastou com a pressão sentida durante praticamente todo o dia. Segundo o operador de um importante banco nacional, o quadro de apreensão doméstico tem levado investidores a adotar a filosofia de "na ausência de notícias, compre dólares".

Para ele, notícias positivas podem gerar alívios pontuais, mas será necessária uma mudança significativa no cenário político para reverter a atual trajetória de alta da moeda norte-americana. "Este é o novo normal: quando não acontece nada, o dólar sobe", afirmou.

A principal preocupação dos investidores é com o impacto das turbulências políticas sobre o ajuste fiscal promovido pelo governo, que vem parecendo cada vez mais difícil. Nesse sentido, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, buscou na véspera apoio às medidas de reequilíbrio das contas públicas, mesmo diante da atividade econômica em contração e da inflação elevada.

Analistas ressaltaram ainda que, mesmo no caso de um ajuste fiscal bem-sucedido, a percepção é que a economia brasileira precisa de um dólar forte para se recuperar. Autoridades do governo vêm dando sinais de que acreditam que as atuais cotações são mais próximas de um nível "justo".   Continuação...