Fila de navios de soja cresce nos portos do Brasil com estímulo do câmbio

quarta-feira, 18 de março de 2015 18:09 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A escala de navios para carregar soja nos portos brasileiros cresceu cerca de 15 por cento em pouco mais de uma semana e a fila de embarcações esperando para atracar é maior do que um ano atrás, por reflexo da recente greve de caminhoneiros e de um aumento da competitividade do grão nacional com a forte alta do dólar.

A atual escala prevê o carregamento futuro de 141 navios com 8,49 milhões de toneladas de soja, com alguns agendamentos já confirmados inclusive para o final de abril, segundo dados da agência marítima Williams analisados pela Reuters.

Na semana passada, a escala futura previa 123 navios com 7,62 milhões de toneladas. Um ano atrás, eram 122 navios escalados, para 7,28 milhões de toneladas.

O primeiro semestre é habitualmente o momento de pico das exportações de soja da América do Sul, por ser momento de colheita no Brasil e na Argentina e de entressafra nos Estados Unidos, mas há indicativos de procura maior este ano.

Segundo analistas, um dos principais motivos de atração de compradores para o Brasil neste momento são os preços mais competitivos em função da desvalorização do real frente o dólar.

"Lógico que tem a safra no Brasil, mas o deslocamento da demanda mundial foi mais do que potencializado pela questão cambial", disse o analista Aedson Pereira, analista de grãos da Informa Economics FNP.

O indicador Cepea/Esalq que registra os negócios com soja no porto de Paranaguá (PR) aponta que os preços em dólares acumulam perdas de 33 por cento nos últimos 12 meses, um desconto de 10 dólares por saca, favorecendo os importadores, principalmente os asiáticos.

Por outro lado, as perdas em reais foram de 7 por cento no período --devido ao câmbio--, garantindo, de alguma forma, o patamar de renda dos produtores rurais.   Continuação...