UE vai dizer à Grécia que tempo e paciência estão se esgotando

quinta-feira, 19 de março de 2015 08:54 BRT
 

Por Paul Taylor

BRUXELAS/BERLIM (Reuters) - Líderes da zona do euro dirão à Grécia, nesta quinta-feira, que o tempo e a paciência estão acabando para que o governo grego implemente reformas definidas para evitar a falta de dinheiro que pode forçar o país a deixar o bloco de moeda única.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pediu uma reunião com os líderes de Alemanha, França e as principais instituições da UE nos intervalos de uma cúpula da União Europeia para pressionar para que Atenas tenha a permissão de levantar fundos de curto prazo para se manter solvente.

"Vou repetir a ele o que já lhe disse duas vezes: a Grécia tem que adotar as reformas necessárias, a Grécia tem que garantir que os compromissos que fez ao Eurogrupo em 2012 e mais recentemente sejam seguidos", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker , à rádio francesa Europe 1.

A chanceler alemã, Angela Merkel, deu a mesma mensagem em um discurso ao Parlamento antes das negociações em Bruxelas e uma crucial visita de Tsipras a Berlim na próxima segunda-feira, dizendo que a crise só será superada se a Grécia cumprir os acordos.

Ninguém deve esperar uma solução nas negociações em Bruxelas nesta quinta-feira ou na de Merkel reunião com Tsipras na próxima semana, nas quais ela disse que eles terão "tempo para conversar em detalhes e talvez também para debater".

Uma reunião política de um pequeno grupo de líderes não pode e não vai substituir um acordo formal que a Grécia concluiu em 20 de fevereiro com ministros das Finanças do Eurogrupo.

A Grécia precisa entender que a ajuda internacional traz consigo uma obrigação "de reformar seu orçamento e trabalhar na direção de um dia não precisar mais de ajuda", disse Merkel.

Juncker tem tentado construir pontes entre Tsipras e os credores da Grécia. Seu tom de exasperação sugere que mesmo os amigos de Atenas estão irritados com o misto de seu governo de retórica beligerante e procrastinação.

A Grécia tem evitado a falência desde 2010 graças a dois resgates da UE e do Fundo Monetário Internacional totalizando 240 bilhões de euros, mas sua economia encolheu 25 por cento, em parte devido às medidas de austeridade impostas pelos credores. O país agora corre o risco de ficar sem dinheiro em semanas se não receber mais ajuda.

 
Primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, em sessão do Parlamento .   18/03/2015    REUTERS/Alkis Konstantinidis