Ex-diretor da Petrobras fala pouco à CPI; diz ter "consciência tranquila"

quinta-feira, 19 de março de 2015 16:34 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal por corrupção na Petrobras, o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque exerceu nesta quinta-feira o seu direito constitucional de ficar calado na maior parte do depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga um escândalo envolvendo a petroleira.

Duque quebrou o silêncio poucas vezes, em um total de quatro horas de sessão. Em uma dessas ocasiões, ele negou que sua esposa teria procurado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua primeira prisão. Disse também não ter conhecido o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser um dos operadores do esquema.

Ao final do depoimento, o ex-executivo da Petrobras se defendeu e afirmou que não pode ser responsabilizado por exercer o direito de permanecer calado. Duque afirmou que estava apenas seguindo uma orientação da sua defesa.

"Não tenho problema algum em discutir qualquer um dos assuntos levantados aqui, pois tenho consciência tranquila. Tenho como responder e tenho argumentos suficientes para rebatê-los (aos deputados)", declarou.

Ele disse ainda que o fato de estar em silêncio não significa medo ou culpa e que irá provar que seus bens são fruto de seu trabalho, e não de corrupção.

"Tenho orgulho do meu trabalho. Lamento que a companhia (Petrobras) esteja passando por isso", finalizou.

Duque, um dos investigados pela Operação Lava Jato, foi preso nesta semana pela Polícia Federal, que apura um esquema de corrupção que envolve a Petrobras, empreiteiras e políticos.

"Eu tenho certeza que no momento oportuno serão esclarecidas e serão sanadas todas as dúvidas. Tenho certeza que existe uma hora de falar, uma hora de calar. Essa é a hora de calar, do meu ponto de vista", afirmou.

Duque está entre os 27 denunciados pelo Ministério Público à Justiça, na segunda-feira, por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha.   Continuação...

 
Ex-diretor da Petrobras Renato Duque na CPI. 19/3/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino