Ex-diretor da Petrobras diz à CPI que esposa não se encontrou com Lula

quinta-feira, 19 de março de 2015 14:36 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque rompeu o silêncio em seu depoimento à CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados para afirmar que sua mulher nunca se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

"Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula ou com o senhor Okamotto. Não conhece, nunca o conheceu", disse o ex-diretor, após mais de duas horas de sessão, ao ser questionado sobre reportagem segundo a qual sua esposa teria procurado o ex-presidente e seu braço-direito no momento da primeira detenção do marido.

Duque foi detido pela primeira vez em 14 de novembro com executivos de grandes empreiteiras do país, após uma série de denúncias de corrupção envolvendo grandes obras da estatal.

Ele deixou a prisão em dezembro graças a um habeas corpus.

Duque foi preso novamente nesta semana pela Polícia Federal, que apura um esquema de corrupção envolvendo Petrobras, empreiteiras e políticos.

Na maior parte do depoimento, o ex-diretor não respondeu às dezenas de perguntas feitas por parlamentares, limitando-se a dizer que se reserva o direito constitucional de permanecer calado.

Duque está entre os 27 denunciados pelo Ministério Público à Justiça, na segunda-feira, por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha. Naquela data, o advogado dele negou que o ex-diretor tenha praticado delitos na Petrobras.

O nome de Duque foi citado pelo ex-gerente-executivo da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, um dos principais operadores do esquema de corrupção, em depoimento à CPI da Petrobras.

Barusco, que firmou um acordo de delação premiada com a Justiça, disse que o mecanismo de desvio de recursos envolvia empresas, Duque e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, citados como "protagonistas" pelo delator.   Continuação...

 
Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, na CPI da Petrobras. 19/03/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino