19 de Março de 2015 / às 20:09 / 3 anos atrás

Kroton vai abrir menos turmas e ofertar financiamentos de curto e longo prazos

SÃO PAULO (Reuters) - A Kroton Educacional mantém seus planos de crescimento para os próximos anos, mas as mudanças nas regras do Fies farão a empresa abrir menos turmas e ofertar financiamentos de curto e longos prazos de forma a compensar os impactos das restrições federais ao programa de financiamento estudantil.

Segundo o presidente da companhia, Rodrigo Galindo, as mudanças nas regras do Fies limitaram o número de contratos de calouros neste primeiro semestre a cerca de um terço do total de 120 mil obtidos por estudantes clientes da Kroton em todo o ano de 2014.

O Ministério da Educação não informou oficialmente qual é o limite de concessão de financiamentos que está impondo aos ingressantes no Fies neste ano, mas os cálculos da Kroton apontam para que a empresa deve conseguir 40 mil novos contratos no primeiro semestre, disse Galindo em teleconferência com analistas.

Como forma de compensar essa limitação nas concessões, a companhia iniciou recentemente a oferta de “empréstimos-ponte” de um ano de duração para que os alunos não contemplados pelo Fies agora possam iniciar seus cursos. Depois de passado um ano, a Kroton espera poder oferecer um produto financeiro aos alunos para a conclusão de seus cursos.

No caso do empréstimo-ponte, os recursos são próprios da empresa e carregam juro zero e amortização de 10 por cento do valor da mensalidade. No caso do financiamento de longo prazo que a empresa pretende oferecer a partir do primeiro semestre do próximo ano recursos de terceiros poderão ser utilizados. A taxa de juros não foi definida ainda.

Segundo o vice-presidente de finanças, Frederico Abreu, a Kroton será “extremamente” conservadora no cálculo de provisões para perdas com crédito (PDD) que poderão vir com a concessão do financiamento próprio.

“Não temos histórico de inadimplência e vai ser difícil fazer essa análise no começo. Vamos estimar a probabilidade do caminho que o aluno vai fazer a partir do segundo ano e a partir daí calcular um PDD para cada caminho”, disse Abreu.

Galindo afirmou que a Kroton espera que novas vagas de Fies sejam oferecidas a calouros a partir do segundo semestre, período tradicionalmente menor de captação de alunos.

O executivo comentou que a empresa espera de queda de 5 por cento a estabilidade na captação de alunos presenciais no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2014. Já para a área de ensino à distância (EAD), a expectativa é de alta de 4 a 8 por cento na captação.

Para o analista Luis Fernando Azevedo, do Bradesco BBI, que acompanha o setor de educação, a expectativa para a captação de alunos presenciais do período seria de crescimento anual de 6 por cento.

“Isso sugere que as mudanças e incertezas em torno do Fies vão impactar pesadamente o ciclo de captação da companhia no início de 2015, enquanto nossos modelos assumiam projeções mais conservadoras a partir apenas do segundo semestre”, disse Azevedo em relatório.

As ações da companhia, que chegaram a avançar mais cedo após a divulgação de fortes resultados de quarto trimestre, inverteram de sinal após os comentários do executivo aos analistas, recuando mais de 6 por cento perto do fim do pregão.

“O ano de 2015 é difícil e talvez 2016 também seja e a tendência é que o Fies continue sendo usado como alavanca de crescimento para se atingir as metas do PNE (Plano Nacional de Educação), que é uma lei e tem que ser cumprida”, disse Galindo.

Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Paula Laier

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