Dólar bate R$3,30 pela 1ª vez em 12 anos por turbulências políticas e exterior

quinta-feira, 19 de março de 2015 17:50 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de 2,5 por cento e bateu em 3,30 reais pela primeira vez em quase 12 anos nesta quinta-feira, acompanhando a recuperação da moeda norte-americana no exterior após o recuo da sessão passada e refletindo as renovadas preocupações com a crise local na base governista.

A moeda dos EUA avançou 2,56 por cento, a 3,2965 reais na venda, maior nível de fechamento desde 1º de maio de 2003, quando fechou a 3,315 reais na venda. A divisa havia fechado em queda na véspera pelo terceiro dia seguido reagindo ao tom de cautela adotado pelo Federal Reserve em seu comunicado de política monetária.

Segundo dados da BM&FBovespa, o giro financeiro ficou em torno de 1,3 bilhão de dólares.

Na máxima da sessão, maior nível intradia também desde 1º de maio de 2003, o dólar atingiu 3,3084 reais, após a presidente Dilma Rousseff negar que realizará uma reforma ministerial. Segundo o operador de câmbio de um importante banco nacional, a declaração frustrou a expectativa de que mudanças no Executivo poderiam atenuar a rebeldia no Congresso.

Os atritos entre o governo e seus aliados no Congresso podem dificultar ainda mais o ajuste fiscal. Na quarta-feira, Cid Gomes pediu demissão do cargo de ministro da Educação depois de uma sessão tumultuada na Câmara dos Deputados, para evitar que a já complicada relação do governo com a base aliada se tornasse ainda pior.

"O custo político de fazer o ajuste (fiscal) está cada vez mais alto e o mercado não gosta disso", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Além disso, o euro caiu mais de 2 por cento contra o dólar nesta tarde, após mostrar na véspera o maior avanço desde março de 2009. O movimento da sessão passada aconteceu após o Fed reduzir suas projeções de crescimento, inflação e juros, alimentando apostas de que os juros norte-americanos continuarão quase zerados até o segundo semestre.

"O rali de moedas emergentes após a conclusão da reunião do Fed de ontem se provou pouco duradouro", escreveram analistas da Capital Economics em nota a clientes.   Continuação...

 
Loja de câmbio no Rio de Janeiro. 4/3/2015 REUTERS/Sergio Moraes