Contingenciamento do Orçamento será "significativo" por meta de primário, diz Dilma

sexta-feira, 20 de março de 2015 16:53 BRT
 

(Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que fará um contingenciamento "significativo" do Orçamento da União neste ano para garantir o cumprimento da meta de superávit primário de 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), admitindo que o país está com desequilíbrio fiscal.

“Esta semana foi aprovado o Orçamento, agora, assim que sancionado, nós vamos... fazer o contingenciamento, que será significativo, não vai ser um pequeno contingenciamento”, disse a presidente a jornalistas em Eldorado do Sul (RS), após participar da Abertura da Colheita do Arroz Ecológico.

Dilma reforçou que a aprovação do ajuste fiscal é imprescindível para a economia do país. Segundo ela, quanto antes isso for feito, mais rápido governo e economia sairão do período de restrição.

"É fundamental que nós tratemos do contingenciamento, porque nós temos um objetivo. Qual é o nosso objetivo? É fazer 1,2 por cento de superávit primário. Para fazer isso, nós contamos com as medidas que nós enviamos ao Congresso e também com um processo de redução dos nossos gastos", disse.

"Nós, de fato, temos um desequilíbrio fiscal... nós absorvemos uma parte grande, uma parte imensa da crise que nos atingiu nós absorvemos no Orçamento", argumentou. "Não estamos ajustando porque gostamos de ajustar."

O ajuste fiscal proposto pela presidente, porém, tem enfrentado resistências dos aliados no Congresso, dos movimentos sociais e do próprio PT. Os aliados contestam a falta de clareza dos ajustes e de uma estratégia de médio e longo prazos para que o país volte a crescer.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também contesta a estratégia adotada por Dilma para fazer o ajuste, porque ela não explica aos eleitores por que é necessário fazê-lo.

Já os petistas e os movimentos sociais contestam as áreas escolhidas para os cortes, como benefícios trabalhistas e previdenciários, que ainda precisam ser aprovados no Congresso.

O cenário para aprovação das medidas de ajuste fiscal no Congresso se torna ainda mais difícil porque Dilma enfrenta uma forte crise política com a base aliada, com o maior partido da coalizão no Parlamento, o PMDB, irritado com o tratamento dispensado por ela e pressionando por mudanças no ministério.   Continuação...

 
Brazil's President Dilma Rousseff reacts during a ceremony to announce measures to modernize Brazilian soccer at the Planalto Palace in Brasilia March 19, 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino