S&P pode revisar rating da Petrobras caso resultados não saiam até abril

terça-feira, 24 de março de 2015 13:50 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Standard & Poor's (S&P) poderá revisar o rating da Petrobras caso a empresa não consiga publicar seus resultados auditados até o fim de abril, afirmou nesta terça-feira a diretora de ratings soberanos para a agência de classificação de risco na América Latina, Lisa Schineller, em teleconferência.

A Petrobras tem até o final de abril para publicar seu balanço anual auditado, de acordo com as regras do mercado. Após essa data, disse a Petrobras anteriormente, a empresa ainda terá de 30 dias a 60 dias, dependendo do contrato de dívida, para cumprir essa obrigação.

Ou seja, o balanço anual auditado deve ser emitido até o final de maio de 2015, segundo a empresa. Caso contrário, credores poderão pedir a antecipação do vencimento da dívida.

Neste contexto, a S&P cortou na terça-feira o perfil de crédito individual da Petrobras para "b+", de "bb", e colocou em perspectiva negativa o rating corporativo da estatal, que foi mantido em "BBB-" -- último degrau do grau de investimento.

A agência de classifica disse ainda que a revisão do crédito individual da estatal, que não leva em consideração o apoio do governo brasileiro, deve-se à perspectiva de menor geração de fluxo de caixa e maior alavancagem da empresa neste e no próximo ano.

Envolvida em um escândalo de corrupção, a petroleira não publicou até agora seus resultados auditados do terceiro trimestre, depois que a auditora PricewaterhouseCoopers (PWC) se recusou a assinar o documento. Agora corre contra o tempo para divulgar também o balanço do quarto trimestre auditado.

O esquema de corrupção, investigado pela Polícia Federal, teria desviado dinheiro de contratos da estatal para empreiteiras, políticos e ex-executivos da companhia. Dessa forma, a Petrobras precisa realizar baixas contábeis críveis para reconquistar a confiança do mercado financeiro.

Schineller afirmou a jornalistas e analistas na teleconferência que acredita que o governo brasileiro dará suporte à Petrobras caso seja necessário.

(Por Marta Nogueira e Walter Brandimarte)

 
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.  16/12/2014     REUTERS/Sergio Moraes