PIB brasileiro cresce só 0,1% em 2014, com pior resultado dos investimentos desde 1999

sexta-feira, 27 de março de 2015 12:10 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Flavia Bohone

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira teve crescimento mínimo de 0,1 por cento no ano passado, registrando o pior desempenho para os investimentos em 15 anos, com queda na produção interna e na importação de bens de capital.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a formação Bruta de Capital Fixo --medida de investimentos-- teve forte queda de 4,4 por cento, o pior resultado desde 1999, quando a baixa foi de 8,9 por cento. Em 2013, a formação bruta de capital fixo havia crescido 6,1%.

"Os investimentos devem continuar a recuar neste ano em virtude de um pessimismo em relação à economia, tanto no setor industrial quanto de serviços, comércio e do consumidor também, além dos apertos da política fiscal e monetária", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, ao comentar os números do Produto Interno Bruto (PIB).

A taxa de investimento (FBCP/PIB) em 2014 ficou em 19,7 por cento.

O consumo das famílias em 2014 cresceu 0,9 por cento, pior resultado desde 2003. O ritmo de crescimento nas despesas do governo também desacelerou, passando para 1,3 por cento no ano passado, ante 2,2 por cento em 2013.

Na análise dos setores da economia, os resultados que ajudaram a manter o PIB em campo positivo no ano passado foram agropecuária, com expansão de 0,4 por cento, e serviços, com alta de 0,7 por cento.

Apesar da expansão, o setor de agropecuária mostrou forte desaceleração ante a alta de 7,9 por cento em 2013. Este recuo, segundo o IBGE, reflete o desempenho da soja, que perdeu produtividade e cresceu menos em termos percentuais. Em 2014, a produção de soja teve um crescimento 5,8 por cento, muito inferior à expansão de 24 por cento em 2013.

Por outro lado, a indústria mostrou retração de 1,2 por cento no ano passado.   Continuação...

 
Uma bandeira do Brasil em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. 04/11/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino