CNC pede ao governo cancelamento de venda de café antes da colheita

sexta-feira, 27 de março de 2015 14:49 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Conselho Nacional do Café (CNC) informou nesta sexta-feira que pediu o cancelamento de um leilão de estoques públicos do produto previsto para a semana que vem, argumentando que a operação antes da entrada da nova safra não favorece o setor.

"Essa medida se faz necessária... porque a realização de leilões no período que precede o ingresso dos cafés da nova safra é extremamente negativa, pois dá a falsa impressão ao mercado de que temos um grande estoque de café", afirmou o presidente-executivo do CNC, Silas Brasileiro.

O representante dos produtores ressaltou que, ao contrário da impressão que pode ser passada com a realização do leilão, "o estoque brasileiro de passagem será, provavelmente, o menor de todos os tempos de nossa história cafeeira".

O Brasil teve, na temporada passada, uma de suas piores safras dos últimos anos, segundo o CNC, por conta da seca histórica de 2014 e das altas temperaturas. Ao mesmo tempo, as exportações de café do Brasil no ano passado foram recordes, com produtores aproveitando os preços altos para comercializar o produto.

Segundo Brasileiro, o CNC e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) são contrários à oferta do produto no momento atual, na iminência da chegada da safra, e fizeram contato na quinta-feira com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e com o secretário interino de Produção e Agroenergia, Luciano Carvalho, solicitando o cancelamento do pregão.

Procurado, o Ministério da Agricultura não comentou o assunto imediatamente.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não encontrou nenhum comprador para a oferta no leilão desta semana, de 40,8 mil sacas de 60 kg, com boa parte de lotes da safra 2002/03. A estatal remarcou o certame para o dia 1º de abril.

"O CNC e a Comissão Nacional do Café da CNA entendem que esse resultado foi o esperado, já que o leilão foi definido sem a participação do setor privado da cafeicultura...", afirmou.

Segundo Brasileiro, o governo cometeu "um equívoco" ao autorizar a Conab a realizar o leilão, não apenas pelo prazo determinado, mas pelos preços iniciais que foram estabelecidos, em patamares iguais ou superiores aos registrados no mercado físico atualmente.   Continuação...