Dólar sobe 1,55% ante real e fecha semana com leve avanço acumulado de 0,32%

sexta-feira, 27 de março de 2015 18:02 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de mais de 1,5 por cento sobre o real nesta sexta-feira, com investidores buscando um nível de equilíbrio para o câmbio após a intensa volatilidade das últimas semanas, que levou a divisa a encostar em 3,30 reais e cair abaixo de 3,10 reais.

A moeda norte-americana subiu 1,55 por cento, a 3,2405 reais na venda e, na semana, acumulou leve avanço de 0,32 por cento. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2,4 bilhões de dólares.

Após disparar ante o real no início do mês, números fracos sobre a economia dos Estados Unidos e declarações cautelosas do Federal Reserve levaram o dólar a corrigir parte do avanço. Mas o alívio durou pouco, com a decisão do Banco Central brasileiro de encerrar seu programa de intervenção diária servindo de catalisador para compras de divisas.

"Há uma percepção mais ou menos generalizada de que o dólar a 3,10 reais é muito barato. Mas, ao mesmo tempo, o mercado sabe que alguma hora o dólar vai ter de parar de subir", disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

Nesta tarde, a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmou que o banco central norte-americano está considerando seriamente começar a reduzir sua política monetária expansionista e uma alta de juros pode ser justificada ainda neste ano, embora eventuais entraves à alta do núcleo da inflação ou ao crescimento salarial possam forçar o banco central norte-americano a adiá-la.

Segundo operadores, o sentimento no mercado é de incerteza, com viés de valorização do dólar. As turbulências políticas e econômicas no Brasil têm levado investidores a buscarem refúgio na moeda norte-americana, por receio de que governo não consiga implementar as medidas de ajuste fiscal.

O viés de alta da divisa dos EUA é ainda mais intenso porque, na opinião da maior parte dos operadores, o ajuste do câmbio é condição para o reequilíbrio da economia brasileira. Por isso, afirmam, mesmo condições econômicas mais favoráveis não seriam suficientes para levar o dólar a cair com força ante a moeda brasileira.

A economia brasileira cresceu 0,1 por cento em 2014, levemente acima das expectativas de analistas, que previam estagnação. Mas economistas não se surpreenderam ou se animaram com o desempenho, com o investimento mostrando o pior resultado desde 1999 e indicando contínuas dificuldades em 2015.   Continuação...