Gol diz que tendência de queda de yields continua no 1º tri

terça-feira, 31 de março de 2015 12:53 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia aérea Gol vê continuidade da tendência de queda do yield, que mede os preços de passagens, no primeiro trimestre de 2015, após o ritmo mais fraco da economia ter contribuído para uma queda anual de quase 9 por cento no indicador durante o quarto trimestre.

Segundo o vice-presidente financeiro da Gol, Edmar Lopes, a queda foi compensada parcialmente pelo aumento da taxa de ocupação das aeronaves. Graças à alta de 4,3 pontos percentuais da ocupação no mercado doméstico, a receita por passageiro, Prask, caiu em menor proporção que os yields, com baixa de 4 por cento de outubro a dezembro.

Ainda assim, "a tendência de queda de yield permanece no primeiro trimestre", disse Lopes.

Em teleconferência para comentar os resultados, executivos da Gol afirmaram que a companhia continuará ampliando a ocupação à medida que não conseguir capturar um yield maior em função do crescimento econômico do país, podendo inclusive fazer reduções de capacidade.

"Acontece que o mercado oferece yields máximos em função do ritmo de atividade... (Mas) o produto final que de fato nos interessa é a maximização do Prask, pela combinação de yields com ocupação", disse Lopes.

A companhia tem destacado a menor demanda de clientes corporativos, que pagam preços mais altos de passagens, em meio à desaceleração da economia brasileira.

Com a tendência de queda dos yields, a Gol projetou margem operacional (Ebit) de 2 a 5 por cento em 2015, considerando crescimento zero na oferta nacional de voos e dólar médio entre 2,95 e 3,15 reais, mas ressalvou que "a cada divulgação trimestral vai comentar a meta no sentido de revalidá-la devido ao cenário volátil", afirmou o presidente-executivo da empresa, Paulo Kakinoff.

Analistas do Bank of America Merrill Lynch afirmaram que é mais provável que o cenário mais pessimista da empresa se confirme. "Na nossa visão, o atual cenário para preços do petróleo, yields e câmbio indica maior probabilidade para a meta mais pessimista da Gol, com pouco espaço para uma surpresa no petróleo, mas maior probabilidade de que o real continue em sua tendência de desvalorização".   Continuação...