CENÁRIOS-Efeito Lava-Jato piora ambiente de crédito no Brasil no início de 2015

terça-feira, 31 de março de 2015 13:45 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Receosos com o enfraquecimento financeiro das empresas que fazem parte das cadeias de óleo e gás e de construção pesada devido ao escândalo de corrupção da Petrobras, grandes bancos comerciais do país têm pisado no freio de novas concessões de crédito para companhias direta ou indiretamente ligadas a elas, o que deve levar a uma expansão ainda mais fraca dos financiamentos neste ano.

Segundo um alto executivo de um dos maiores bancos do país, um dos motivos da precaução é a demora para publicação do balanço da Petrobras.

O relatório do exercício de 2014 deve trazer o cálculo das perdas da companhia com sobrepreço em obras com empreiteiras, assunto-alvo da investigação Lava-Jato, da Polícia Federal. Os bancos estão aguardando os números auditados da Petrobras para alimentar seus modelos internos de risco que referenciam sua análise de crédito.

"Estamos segurando crédito até para empresa de marmita, se ela tem como cliente empresas ligadas às investigações", disse o executivo.

O receio tem crescido na esteira do enfraquecimento financeiro das fornecedoras da Petrobras. A própria estatal já teve o rating cortado para grau especulativo pela agência de classificação de risco Moody's. Juntas, Moody's, Fitch e Standard & Poor's já cortaram os ratings de várias das empreiteiras investigadas pela Lava-Jato.

Na semana passada, a Galvão Engenharia pediu recuperação judicial. [L2N0WS0Q2] No começo do ano, a OAS anunciou que preparava um plano expressivo de redução de despesas e pode vender ativos para reequilibrar sua posição financeira, logo depois de faltar com o pagamento de juros de uma dívida de 400 milhões de dólares. [L1N0UI0DQ]

Embora mais intensa em óleo e gás e na construção pesada, a cautela dos bancos tem envolvido outros segmentos, diz Alberto Jacobsen, sócio fundador da consultoria Riskoffice.

"A restrição a crédito está cada vez maior. Ninguém quer dar crédito para óleo e gás, construção civil ou pesada, setor elétrico, saneamento, entre outros", diz Jacobsen.   Continuação...