Produção industrial cai 0,9% em fevereiro com perda em todas as categorias

quarta-feira, 1 de abril de 2015 12:08 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção industrial brasileira caiu 0,9 por cento em fevereiro na comparação com o mês anterior, menos do que o esperado mas anulando o ganho registrado em janeiro e com perda generalizada entre as categorias, em um resultado que destaca a trajetória negativa que o setor deve apresentar ao longo deste ano.

Na comparação com um ano antes, a produção despencou 9,1 por cento em fevereiro, 12º resultado negativo nesse tipo de comparação e pior leitura desde julho de 2009 (-10 por cento), informou o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Para completar o quadro de fraqueza no início de 2015, o IBGE revisou fortemente para baixo o resultado mensal de janeiro para uma alta de apenas 0,3 por cento, ante os 2,0 por cento divulgados anteriormente. Segundo o IBGE esse ajuste ocorreu por motivos sazonais relacionados ao Carnaval deste ano e do ano passado. Quando os dados de março forem fechados pode ocorrer nova revisão sobre os números.

"O resultado de fevereiro mostra que o ensaio feito pela indústria em janeiro não se confirmou. Para onde se olha , há uma abundância de dados negativos que compravam a menor intensidade do setor industrial", disse à Reuters o economista do IBGE André Macedo.

Com isso, a produção industrial brasileira acumula nos dois primeiros meses do ano queda de 7,1 por cento, pior resultado para um primeiro bimestre desde 2009 (-16,8 por cento), pico da crise mundial. Agora, a produção industrial está 10 por cento abaixo do pico de produção alcançado em junho de 2013.

"A indústria começa o ano em patamar bastante comprimido, mantendo-se em perspectiva bastante negativa. No que diz respeito ao consumo doméstico, temos dois fatores limitantes ao longo de 2015: o crédito, em franca retração, e o mercado de trabalho, que está cada vez menos amigável", escreveu a consultoria Rosenberg & Associados em nota assinada pela economista-chefe Thaís Marzola.

Apesar dos números bem ruins, os resultados de fevereiro foram melhores do que a mediana das expectativas em pesquisa da Reuters, de queda de 1,6 por cento na comparação mensal e de recuo de 10,25 por cento na base anual.[L2N0WW2M6]

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Carros novos estacionados em pátio da Volkswagen em fábrica de Taubaté. 30/03/2015 REUTERS/Roosevelt Cassio