Compra da BG tornará Shell grande potência no pré-sal e maior sócia da Petrobras

quarta-feira, 8 de abril de 2015 16:18 BRT
 

Por Marta Nogueira e Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A compra da britânica BG Group pela gigante anglo-holandesa Shell, anunciada nesta quarta-feira, vai criar uma nova grande potência no pré-sal brasileiro, que será ainda a petroleira mais próxima da Petrobras, em um momento em que a estatal brasileira enfrenta a maior crise de sua história.

O negócio entre BG e Shell, de 70 bilhões de dólares, representa a primeira grande fusão no setor de petróleo em mais de uma década, reduzindo no momento a diferença da Shell frente à líder de mercado, a norte-americana ExxonMobil, após uma queda dos preços da commodity.

A BG, principal parceira da Petrobras no campo de Lula, principal produtor do pré-sal da Bacia de Santos, já é segunda petroleira do país em produção, enquanto a Shell é a quinta maior, segundo o último dado do órgão regulador (ANP).

Além levar parte de um importante ativo em produção no pré-sal --a BG tem 25 por cento de Lula--, analistas acreditam que é expressivo o negócio para a Shell no Brasil, pois ela ficará com reservas de bastante qualidade e em crescimento. A britânica também é parceira da estatal brasileira em outras relevantes áreas como Sapinhoá, Lapa e Iara.

A própria Shell já é sócia da Petrobras com 20 por cento da área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, anunciada pelo governo brasileiro como a maior jazida do país, que pode conter entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de barris de petróleo de reservas recuperáveis, com produção esperada para os próximos anos.

"No Brasil, os ativos da BG dariam à Shell mais um ponto de apoio em uma das bacias de menor custo do mundo, e poderia acrescentar potenciais sinergias com Libra", afirmou o analista Biraj Borkhataria, em relatório da RBC Capital Markets.

O campo de Lula foi originado da descoberta de Tupi, a mais relevante do pré-sal anunciada pela Petrobras na década passada, na época com volumes recuperáveis de 5 bilhões a 8 bilhões de barris.

Já a corretora Jefferies concluiu que a transação fará da Shell a companhia estrangeira líder no Brasil, combinando ativos atuais da anglo-holandesa, com a fatia em Libra e a participação da BG no pré-sal.   Continuação...