Sete Brasil contratará menos sondas que o previsto para Petrobras, diz Petros

quarta-feira, 8 de abril de 2015 19:45 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Sete Brasil, empresa que contrata a construção de sondas para a Petrobras, deverá ter capacidade para atender entre 13 e 17 sondas de um total de encomendas de ao menos 28 equipamentos, avaliou nesta quarta-feira um representante de uma das sócias da companhia.

O cumprimento parcial da encomenda se deve a dificuldades financeiras da Sete Brasil, em meio a investigações de corrupção pela Operação Lava Jato, que têm impactado os investimentos da Petrobras.

"Aquele desenho original de 29 sondas, sendo 28 e mais uma de stand by, é um desenho que não se sustenta mais neste momento. Vamos ter uma redução disto para algo entre 13 e 17 sondas, no máximo", disse Lício Raimundo, diretor de investimento da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, que detém 10 por cento de participação na Sete Brasil.

Cada contrato para construção de sondas gira em torno de 1 bilhão de dólares.

A Sete tem rolado empréstimos-ponte com um grupo de bancos até negociar condições finais sobre o pacote de financiamento de longo prazo. As negociações ficaram mais difíceis após as investigações sobre corrupção na Petrobras.

"Vamos ter um enxugamento do desenho inicial. Este número de 13 a 17 é o que a Sete tem como fôlego para ofertar, tendo em vista a sua situação e os seus financiadores", declarou ele, em evento no Rio de Janeiro.

A Sete Brasil informou na última segunda-feira que assinou em 31 de março memorando de entendimento com credores que suspende o direito de execução de dívidas com empresas do grupo por 90 dias.

Raimundo disse que a Sete já está procurando bancos no mercado brasileiro para resolver o seu passivo e garantiu que a empresa não corre risco de quebrar.

"A Sete vai sobreviver, vai vencer essa tormenta, mas vai vencer com um desenho menor do que o planejado inicialmente, que dada as condições que você coloca, talvez sejam as mais adequadas mesmo", disse ele, comentando questão sobre o impacto da queda dos preços do petróleo na companhia.

(Por Rodrigo Viga Gaier)