Lagarde, do FMI, vê "nova realidade" de crescimento medíocre

quinta-feira, 9 de abril de 2015 12:27 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - Um crescimento econômico medíocre pode se tornar a "nova realidade", deixando milhões sem empregos e aumentando os riscos à estabilidade financeira global, alertou nesta quinta-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Ela deu o alerta pela primeira vez em outubro de que a economia global poderia ficar presa numa nova trajetória de crescimento "medíocre" com desemprego e endividamento altos, a menos que as autoridades tomassem medidas.

"Hoje, devemos evitar que o novo medíocre se torne a 'nova realidade'", disse Lagarde segundo declarações preparadas para o Conselho do Atlântico, sediado em Washington.

Falando antes da publicação das projeções econômicas do FMI na semana que vem, Lagarde disse que o crescimento global neste ano é similar ao do ano passado, embora seja ligeiramente melhor para economias avançadas e um pouco pior para mercados emergentes.

Em suas últimas projeções em janeiro, o FMI disse que a economia global cresceu 3,3 por cento no ano passado, com as economias avançadas crescendo 1,8 por cento e expansão de 4,4 por cento nos mercados emergentes.

"Não é que o crescimento geral seja ruim", disse Lagarde. "É que, dado o impacto remanescente da Grande Recessão sobre as pessoas ... o crescimento não é bom o bastante".

Embora políticas monetárias frouxas ainda sejam necessárias, especialmente na zona do euro e no Japão, taxas de juros muito baixas estão criando instabilidade financeira uma vez que investidores toleram riscos maiores e podem exagerar nos preços de ativos.

Lagarde também alertou sobre o potencial impacto negativo da forte apreciação do dólar nos últimos seis meses conforme o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, se prepara para elevar os juros enquanto outros bancos centrais mantêm suas posições.

A diretora-gerente disse que algumas empresas em mercados emergentes estão particularmente vulneráveis lidando com um dólar mais alto, preços de commodities mais baixos e custos maiores de empréstimos.   Continuação...