CENÁRIOS-Varejo de moda corre para rearranjar cadeia produtiva com menos peças importadas

sexta-feira, 10 de abril de 2015 17:30 BRT
 

Por Luciana Bruno

SÃO PAULO (Reuters) - O varejo de moda deve reduzir este ano o volume de produtos importados devido à desvalorização do real, enquanto negocia preços com fornecedores externos e aumenta a demanda por produtos de confecções brasileiras, que enfrentam baixa escala e dificuldades para fabricar roupas mais elaboradas.

A alta do dólar tem impacto especialmente nos preços de artigos de inverno, mais complexos que o vestuário de verão, apontou a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex).

Em média, o setor de vestuário importa 15 por cento dos produtos que vende, enquanto esse percentual pode chegar a 40 por cento em algumas das grandes varejistas.

No caso da Lojas Renner, essa fatia está em cerca de 30 por cento, mas deve ser reduzida caso o patamar da moeda norte-americana se mantenha alto. A estratégia é complementar aos mecanismos de mercado para proteção a oscilações do câmbio, já adotados pela companhia.

"Há flexibilidade de redução dos 30 por cento. Podemos reduzir, mas é uma questão estrutural. Há falta de produtos no Brasil, principalmente das coleções outono/inverno", disse à Reuters o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Laurence Gomes.

No quarto trimestre de 2014, as importações da Lojas Renner foram de 112,5 milhões de reais, alta de 34,4 por cento frente a dezembro de 2013, segundo resultados da companhia.

A proteção cambial da Lojas Renner via hedge está garantida para 2015 no patamar de 2,59 reais. Mas, segundo o executivo, haverá esforços para negociar com fornecedores externos.

"Todos os anos nossa escala cresce. Nosso poder de barganha aumenta", disse. Segundo ele, a capacidade de negociação da empresa melhorou após a abertura de uma representação em Xangai. As negociações para as coleções do início do ano que vem já começaram, explicou.   Continuação...