Investimento da Foxconn em iPhone no Brasil fica aquém de promessas

segunda-feira, 13 de abril de 2015 12:06 BRT
 

Por Brad Haynes

ITU (Reuters) - A expectativa era que a produção do iPhone no Brasil marcasse uma nova era.

Quando a taiuanesa Foxconn Technology acertou em abril de 2011 que fabricaria produtos da Apple no país, a presidente Dilma Rousseff e seus conselheiros prometeram que até 12 bilhões de dólares em investimentos nos próximos seis anos transformariam o setor de tecnologia brasileiro e o colocariam na vanguarda do desenvolvimento de telas sensíveis ao toque.

Uma nova cadeia de suprimentos seria criada, gerando empregos de alta qualidade e derrubando os preços de cobiçados aparelhos eletrônicos.

Quatro anos depois, no entanto, nada disso se tornou realidade.

A Foxconn criou apenas uma pequena fração dos 100 mil empregos que o governo projetou, e a maior parte das vagas é de baixa qualificação. Há poucos sinais de que tenha sido catalisadora do setor de tecnologia brasileiro ou criado uma cadeia de suprimentos local.

Os iPhones agora produzidos perto de São Paulo, os únicos feitos fora da China, custam aproximadamente 1 mil dólares para o iPhone 5S de 32 gigabytes sem contrato -- entre os maiores valores do mundo e cerca de duas vezes o preço nos Estados Unidos.

O fato de o Brasil ter tão pouco a mostrar sobre os investimentos da Foxconn indica a fraqueza de sua política industrial, definida por caros incentivos fiscais que levaram a um amplo déficit do governo sem impulsionar o crescimento. A economia brasileira está hoje próxima à recessão e a produtividade da força de trabalho brasileira está estagnada.

As vendas de iPhones da Apple no Brasil ainda sobem. As remessas subiram mais de 40 por cento, para 2,9 milhões no ano passado, de acordo com a empresa de pesquisas Gartner.   Continuação...

 
Propaganda da Apple na Avenida Paulista.   16/12/2014    REUTERS/Paulo Whitaker