Câmbio ainda é insuficiente para impulsionar produção de açúcar, dizem analistas

segunda-feira, 13 de abril de 2015 17:22 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar acima de 3 reais, próximo a recentes picos de 12 anos, não será capaz de estimular um forte crescimento da produção de açúcar no Brasil este ano, com a maior parte das indústrias sucroalcooleiras, muitas delas em situação financeira delicada, sem conseguir acessar as custosas operações de travamento de preços e de câmbio nos mercados futuros.

A avaliação, feita por respeitados analistas ouvidos pela Reuters, vai na direção contrária à da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apontou nesta segunda-feira um crescimento de mais de 5 por cento na produção de açúcar do centro-sul em 2015/16, citando o câmbio como estímulo para as exportações.

Um dólar valorizado se converte em mais reais no caixa dos produtores de açúcar do Brasil, líder global na produção e exportação do adoçante.

"O argumento de que o dólar favorece fixações de açúcar é correto, mas isso não se aplica a todos. Para a usina fazer isso, ela tem que ter um certo crédito junto a bancos e junto a tradings, para poder fazer. O risco é da trading e do banco, e nem todas as usinas estão em condições (financeiras) de fazer isso", disse o analista Júlio Borges, da Job Economia.

Segundo ele, o fato de a fixação de preços futuros ser restrita, implica em dizer que a produção de açúcar pode ter um crescimento menor do que o projetado pela agência estatal.

Em um exercício elaborado pela Job, a fixação do preço futuro do açúcar bruto em Nova York, nos contratos julho, outubro e março de 2016, e do câmbio, para os respectivos meses, resultaria em um preço de 44 centavos de real por libra-peso para a usina.

Numa operação de curto prazo, mais barata, com o primeiro contrato do açúcar em Nova York e do dólar na BM&FBovespa, a receita seria de 39,7 centavos por libra-peso.

"É como se a maioria ficasse assistindo a oportunidade (do ganho maior pela fixação) passar pela TV", disse ele, explicando que operar em mercados futuros de dólar e de açúcar exige chamadas de margens expressivas, que inviabilizam operações financeiras de uma parcela grande de um setor bastante endividado.   Continuação...

 
18/09/2014. REUTERS/Paulo Whitaker