Com dólar volátil, brasileiro posterga decisão sobre férias de julho

quarta-feira, 15 de abril de 2015 16:35 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A volatilidade do câmbio tem deixado o brasileiro mais retraído e hesitante em fechar viagens para a alta temporada, em julho, o que está levando o setor de turismo a ajustar ofertas e serviços para atender um consumidor com receio de gastos elevados no exterior.

Neste ano, o volume de pacotes já vendidos pelas agências para viagens nacionais e internacionais em julho até o momento está 15 por cento menor do que no mesmo período de 2014, segundo dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

No ano passado, a partir de março, já se verificou um movimento de passageiros confirmando viagens, segundo o vice-presidente de Relações Internacionais da Abav, Leonel Rossi Junior. Já em 2015, o consumidor está tendendo a deixar a tomada de decisão para mais perto de julho.

"As coisas vão começar a acontecer (com mais intensidade) a partir de 15 de maio", disse Rossi Junior, acrescentando que o que tem afugentado o consumidor não é apenas o câmbio mais alto, mas principalmente sua instabilidade.

O dólar subiu cerca de 30 por cento ante o real desde a mínima de 2015 em janeiro até a máxima em meados do março. Desde então, a divisa norte-americana se desvalorizou ante o real, mas ainda se mantém nesta quarta-feira acima de 3 reais.

Nos primeiros meses do ano, apesar da alta do dólar, as promoções do setor contribuíram para a movimentação das vendas das agências.

No caso da CVC, maior operadora de turismo do Brasil, as ofertas promocionais de companhias aéreas e hotéis diminuíram o valor médio gasto pelo cliente em 7 por cento no primeiro trimestre, o que ajudou o volume de passageiros a crescer 20 por cento. As reservas confirmadas da empresa subiram 11,3 por cento, para 1,27 bilhão de reais.

Muitas companhias aéreas optaram por fazer promoções no início do ano para ocupar as aeronaves, em meio à fraqueza da demanda corporativa e em um momento em que o dólar mais alto elevou seus custos, ao mesmo tempo que dificultou que se beneficiassem da queda do preço do petróleo.   Continuação...