FMI diz que depreciações cambiais "excessivas" devem ser evitadas

quinta-feira, 16 de abril de 2015 12:24 BRT
 

Por Anna Yukhananov

WASHINGTON (Reuters) - A dependência excessiva de depreciações cambiais para impulsionar as economias pode exacerbar tensões globais sobre taxas de câmbio, disse nesta quinta-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

A forte alta do dólar ante o euro e o iene deve ser um tema importante da reunião das autoridades econômicas mais importantes do mundo em Washington nesta semana. As recentes oscilações cambiais tem exposto também algumas economias emergentes.

"Dependência excessiva em depreciações cambiais para impulsionar a atividade doméstica pode aumentar as tensões cambiais globais e devem ser evitadas", disse Lagarde em sua "Agenda de Política Global", que resume as principais ações e conselhos do FMI para os 188 países-membros.

O FMI disse que as mudanças cambiais são benéficas no todo, já que sustentam economias em dificuldades na zona do euro e o Japão, mas podem criar vencedores e perdedores.

O Tesouro dos Estados Unidos alertou a Europa na semana passada sobre depender excessivamente de exportações, que foram impulsionadas por um euro mais fraco, e também criticou a Coreia do Sul por intervenções cambiais.

Mais de duas dúzias de bancos centrais afrouxaram mais as políticas monetárias nos últimos meses para sustentar suas economias ou combater pressões deflacionárias mundiais.

Lagarde disse que o mundo ainda não tem um sistema bom para ajudar países em momentos de turbulência, como exposto pelas recentes flutuações cambiais e grandes fluxos de capital e acúmulos de reservas em alguns mercados emergentes.

Embora alguns acordos regionais de financiamento, linhas de swap bilaterais e os programas de empréstimo do próprio FMI tenham ajudado, eles ainda não são bem coordenados, disse ela.

"A rede global de segurança financeira continua subutilizada em momentos de turbulência, com acesso desigual e uma estrutura de múltiplas camadas", disse Lagarde.

 
15/04/2015. REUTERS/Murad Sezer