Grupo Schahin pede recuperação judicial, demite 2,5 mil

sexta-feira, 17 de abril de 2015 18:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Grupo Schahin pediu recuperação judicial e anunciou o desligamento de 2,5 mil funcionários, aumentando a fila de empresas que recorreram ao mecanismo, diante do enfraquecimento financeiro gerado na esteira do escândalo de corrupção na Petrobras.

A companhia anunciou nesta sexta-feira que pediu recuperação judicial para 28 empresas do grupo e deixará de operar em engenharia e construção para se focar na área de petróleo e gás.

Em resposta à Reuters sobre demissões, a companhia informou que permanecem no grupo 1,2 mil funcionários após os desligamentos.

"A situação vivida decorre principalmente do fechamento dos mercados de crédito nacional e internacional, o que impossibilita o financiamento das atividades das empresas", informou a companhia em nota.

O Grupo Schahin disse que a recuperação judicial envolve um passivo de 6,5 bilhões de reais e que "lamenta" as demissões envolvidas na reestruturação, mas não informou quantas são.

A Schahin contratou o escritório de advocacia Dias Carneiro, Arystobulo, Flores, Sanches & Thomaz Bastos Advogados para assessorá-la no plano de reestruturação da dívida, que tem como credores, o Deutsche Bank e o Mizuho Financial. Os credores tentam ter de volta empréstimos combinados de 500 milhões de euros, disse uma fonte com conhecimento direto da situação à Reuters no início deste mês.

A falta de caixa, que segundo a fonte chegou a 1 bilhão de dólares, e um crédito do Banco Industrial e Comercial da China de mais de 1,2 bilhão de dólares forçaram a unidade de serviços de petróleo do Schahin chamar de volta cinco de suas seis plataformas de exploração para a costa. Algumas delas foram alugadas para a Petrobras.

No fim de março, a OAS tinha pedido recuperação judicial de nove empresas e que buscava vender ativos e se focar no segmento de construção pesada em meio à restrição de crédito por conta da Operação Lava Jato, que investiga denúncias de sobrepreços em contratos de empreiteiras com a Petrobras.

Dias antes, a Galvão Engenharia e a Galvão Participações haviam tomado o mesmo caminho, que havia sido aberto pela Alumini, em janeiro.   Continuação...