Petrobras faz baixa de R$6,2 bi por corrupção e tem prejuízo de R$21,6 bi em 2014

quarta-feira, 22 de abril de 2015 21:36 BRT
 

Por Marta Nogueira, Roberto Samora e Cesar Bianconi

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 22 Abr (Reuters) - A Petrobras teve um prejuízo de 21,6 bilhões de reais no ano passado, mostrou balanço auditado nesta quarta-feira, após contabilizar perdas de 6,2 bilhões de reais por corrupção e reduzir em mais de 44 bilhões de reais o valor de seus ativos.

A empresa, no centro da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, não pagará dividendos referentes ao exercício de 2014 para preservar caixa, mesmo tendo mais de 100 bilhões de reais em reservas de lucros no fim de dezembro.

"Não vamos pagar dividendos", afirmou e repetiu o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, durante entrevista coletiva.

A publicação do resultado do terceiro trimestre do ano passado estava atrasada em mais de cinco meses e a companhia aproveitou para divulgar também os dados do quarto trimestre e de todo o ano de 2014.

No terceiro trimestre de 2014, a petroleira reconheceu perdas de 6,2 bilhões de reais por pagamentos indevidos descobertos pela Lava Jato, que investiga o desvio de dinheiro de contratos da Petrobras com envolvimento de ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos. Isso levou a um prejuízo líquido de 5,3 bilhões de reais de julho a setembro do ano passado.

No quarto trimestre, a estatal reduziu o valor de seus ativos em 44,3 bilhões de reais, após ter reavaliado uma série de projetos, principalmente a Refinaria Abreu e Lima (em Pernambuco) e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A empresa citou problemas no planejamento dos projetos, uso de taxa de desconto com maior prêmio de risco, postergação da expectativa de entrada de caixa e menor crescimento econômico.

O prejuízo líquido da Petrobras de outubro a dezembro, após o efeito da redução dos ativos, ficou em 26,6 bilhões de reais.

Os mais de 50 bilhões de reais por corrupção e, principalmente, pela diminuição do valor dos ativos não ficaram muito distantes das abordagens rejeitadas pelo Conselho de Administração da Petrobras no fim de janeiro, que apontavam para uma sobreavaliação de ativos em pouco mais de 60 bilhões de reais.   Continuação...

 
23/04/2015. REUTERS/Ricardo Moraes