Fitch afirma rating 'BBB-' para Petrobras e retira empresa de observação negativa

sexta-feira, 24 de abril de 2015 12:46 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Fitch afirmou nesta sexta-feira o rating 'BBB-' para os títulos de dívida da Petrobras e retirou a companhia da observação negativa, dizendo que o rating da petroleira está com perspectiva negativa, após a divulgação de seu balanço auditado esta semana.

"A ação de rating reflete a publicação do balanço auditado de 2014, que evitou a violação de cláusulas contratuais restritivas (covenants) que permitiriam aos credores iniciar processo de aceleração dos pagamentos", disse a agência, em nota.

A Fitch havia colocado em fevereiro a Petrobras em observação negativa --o que apontava para um possível novo downgrade em um prazo de três a seis meses-- devido a incertezas sobre a capacidade da empresa de fazer os ajustes necessários para cumprir a tempo cláusulas dos contratos com credores.

"O risco agora foi mitigado", disse a agência.

A Fitch disse ainda que a ação sobre o rating reflete a melhoria da posição de liquidez da petroleira, que recentemente anunciou a obtenção de 13 bilhões de dólares em novas linhas de financiamento.

A perspectiva negativa que a companhia tem no momento, disse a Fitch, reflete as incertezas sobre a capacidade da companhia de reduzir seu endividamento no médio prazo.

"A Petrobras pode enfrentar desafios para desalavancar sua estrutura de capital organicamente, com o escândalo de corrupção podendo atrasar a entrega de unidades de produção", disse a agência.

Na véspera, outra agência de classificação de risco, Standard & Poor's, disse que o rating "BBB-" e a perspectiva negativa atribuídos à Petrobras não foram imediatamente afetados pela divulgação das demonstrações contábeis auditadas.

A estatal divulgou na noite de quarta-feira prejuízo de 21,6 bilhões de reais no ano passado, após contabilizar perdas de 6,2 bilhões de reais por corrupção e reduzir em mais de 44 bilhões de reais o valor de seus ativos.

(Por Gustavo Bonato)