Dólar cai 1% ante o real e testa novo piso

segunda-feira, 27 de abril de 2015 17:12 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 1 por cento ante o real nesta segunda-feira, mantendo a tendência das últimas quatro semanas, com o mercado testando um novo piso para a moeda, em meio à expectativa de que o Federal Reserve demore mais para iniciar o processo de elevação dos juros nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana caiu 1,13 por cento, a 2,9217 reais na venda, após recuar 1,25 por cento na sexta-feira..

Segundo dados da BM&FBovespa, o giro financeiro ficou em torno de 1,4 bilhão de dólares.

A recente tendência de queda da moeda norte-americana ante o real reflete um cenário político local mais tranquilo e dados econômicos norte-americanos mostrando uma recuperação mais lenta que o esperado, o que pode levar o Federal Reserve a adiar o início do aumento da taxa de juros dos Estados Unidos.

"Ainda tem um eco em relação à questão política local que está mais tranquila. Além disso, o dólar ficou ao redor de 3,10 reais por um tempo até conseguir romper os 3 reais a duras penas. Agora está se sustentando abaixo (dos 3 reais) e pode buscar os 2,90 reais", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

No entanto, a negociação da moeda norte-americana abaixo dos 2,90 reais deve encontrar mais resistência, uma vez que, apesar do otimismo com a situação política local, muitas medidas fiscais ainda dependem de aprovação do Congresso Nacional.

"Para cair mais tem que ter bases mais sólidas, mais definições com relação à política fiscal, por exemplo. Se tiver uma queda abaixo dos 2,90 reais vai ser mais especulação do que qualquer outra coisa", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

Na quarta-feira, os Estados Unidos divulgam os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre pela manhã e, à tarde, acontece o anúncio da decisão de política monetária pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA.

"A visão de que a economia dos EUA retornou a um caminho de crescimento forte o suficiente para permitir ao Federal Reserve iniciar a normalização da política monetária tem sido desafiada por uma série de dados decepcionantes. Isto vai culminar com a primeira estimativa do PIB do primeiro trimestre, em 29 de abril", disse a Brown Brothers Harriman, em relatório a clientes.   Continuação...