Tsipras pressiona por acordo da dívida grega em maio; diz que pode convocar referendo

terça-feira, 28 de abril de 2015 08:42 BRT
 

Por Renee Maltezou e Deepa Babington

ATENAS (Reuters) - O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse nesta terça-feira estar confiante em um acordo com credores internacionais dentro de duas semanas, depois de mudar sua equipe de negociação e deixar de lado o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que enfureceu os parceiros da zona do euro.

Mas Tsipras também afirmou que terá de recorrer a um referendo se os credores insistirem em exigências consideradas inaceitáveis ​​por seu governo, eleito com o objetivo de revogar medidas de austeridade.

A Grécia deve ficar sem dinheiro dentro de algumas semanas, mas as negociações com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o fornecimento de mais ajuda estão mergulhadas em impasse por causa das demandas dos credores de que o país faça reformas, incluindo cortes de pensões e a liberalização do mercado de trabalho.

Em sua primeira grande entrevista na televisão desde que foi eleito em janeiro, Tsipras disse que espera um acordo com os credores até 9 de maio, três dias antes do vencimento de uma parcela da dívida com o FMI de cerca de 750 milhões de euros (815,5 milhões dólares). Ele descartou um default, mas enfatizou que a prioridade é pagar salários e pensões.

Os mercados financeiros gregos e o euro se revigoraram na segunda-feira na esperança de que o rebaixamento do ministro Varoufakis, um acadêmico marxista propenso a repreender seus pares da zona do euro, iria melhorar as perspectivas de um acordo em breve e assim evitar o calote que poderia levar à saída da Grécia da moeda comum.

Questionado sobre as opções caso não se chegue a um acordo, Tsipras afastou a possibilidade de eleições antecipadas, mas disse que o governo não tem o direito de aceitar exigências que estejam fora dos limites do seu mandato e, por isso, teria de pedir aos gregos que decidam.

"Se a solução estiver fora do nosso mandato, não terei o direito de violá-lo, portanto, a solução a que chegaremos terá de ser aprovado pelo povo grego", disse o premiê à televisão Star.

"Mas estou certo de que não vamos chegar a esse ponto. Apesar das dificuldades, as possibilidades de ganhar nas negociações são grandes. Não devemos ceder aos movimentos de pânico. Quem fica com medo neste jogo, perde."   Continuação...

 
Premiê grego Alexis Tsipras em foto de arquivo. 21/01/2015  REUTERS/Alkis Konstantinidis