Aperto de crédito atrasa vendas de fertilizantes no país e pode afetar logística

terça-feira, 28 de abril de 2015 16:17 BRT
 

Por Gustavo Bonato

RIBEIRÃO PRETO (Reuters) - O aperto de crédito para o setor agrícola e as incertezas sobre as condições de negócios este ano estão atrasando as vendas de fertilizantes no Brasil, o que poderá gerar acúmulo de entregas e problemas logísticos no segundo semestre, disseram executivos do setor na Agrishow, a principal feira de negócios da agropecuária do Brasil.

Entre janeiro e março, as entregas de fertilizantes aos produtores já recuaram 5 por cento na comparação com o mesmo período de 2014, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Para piorar, o fechamento de negócios está bem mais atrasado que as entregas propriamente ditas, na avaliação da Yara, maior empresa de fertilizantes do Brasil, com 25 por cento do mercado.

"Quando a gente leva isso para a realização de negócios, a gente estima que esse número (defasagem) seja muito maior. O 'gap' em relação ao ano passado é muito maior", disse à Reuters o presidente da Yara no Brasil, Lair Hanzen, em entrevista em Ribeirão Preto, sede da Agrishow.

Ele destacou que não há estatísticas oficiais sobre os negócios fechados, mas a empresa estima que a carteira de pedidos do setor esteja menor.

"Ao invés de você ter três ou quatro meses já vendidos, você trabalha com dois, ou um (mês)", disse o diretor comercial da Yara, Cleiton Vargas, citando que essa é uma situação do mercado brasileiro, enfrentada na mesma proporção pela Yara.

O novo Plano Safra 2015/16 ainda será anunciado, com linhas de financiamentos para o próximo plantio de grãos no país, mas os juros praticados atualmente pelos principais bancos já subiram na comparação com os 6,5 por cento da média ofertada no Plano Safra 2014/15.

O plano para 2015/16, a ser divulgado em 19 de maio, terá juros médios mais altos, indicou na segunda-feira a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, na esteira do aumento dos custos dos financiamentos, com a taxa referencial (Selic) e a inflação em níveis mais elevados.   Continuação...