Aperto no crédito trará dificuldades para setor agrícola ajudar economia do Brasil

quarta-feira, 6 de maio de 2015 19:43 BRT
 

Por Reese Ewing

GUAXUPÉ (Reuters) - Quando a economia brasileira esteve fraca no passado, o setor agrícola frequentemente ajudou a amortecer o impacto da crise com um crescimento constante. Mas essa tendência pode não se manter neste ano, em meio a condições mais duras de crédito e menores preços de commodities.

A decisão do governo de conter subsídios para o crédito agrícola, como parte de um pacote de austeridade fiscal, já está pesando sobre indústrias que apoiam o setor, o qual corresponde a cerca de 25 por cento da economia.

Taxas de empréstimos para items como tratores e colheitadeias sob a linha de crédito conhecida como Finame, originária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já subiram fortemente e deve quase dobrar até julho frente aos níveis do início de 2015.

Fornecedores de equipamentos dizem que a demanda por alternativas ao aperto do mercado de crédito estão aumentando, como trocas ou consórcios. Para um setor que tem dependido pesadamente de empréstimos subsidiados nos últimos anos, essa desaceleração pode ser dolorosa.

“Isso terá um grande impacto”, disse José Eduardo Santos Jr., chefe de desenvolvimento da maior cooperativa de café do Brasil, a Cooxupé, em uma recente feira agrícola na cidade de Guaxupé. “Tudo depende de crédito no setor agrícola.”

As vendas nacionais de maquinários agrícolas tiveram queda de 20 por cento no primeiro trimestre de 2015, de acordo com a associação de montadoras Anfavea.

Já sofrendo com uma queda global nos preços dos grãos, grande produtoras de equipamentos como a Case, John Deere, Massey Ferguson e outras esperam uma queda nas vendas de até 40 por cento neste ano. No melhor dos casos, as anêmicas vendas do ano passado vão se repetir, de acordo com uma recente pesquisa conduzida pela Anfavea, por cooperativas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Produtoras de maquinário e equipamentos serão as mais atingidas (pelo aperto do crédito) neste ano”, disse Amaryllis Romano, um economista da consultoria Tendências.   Continuação...