Vitória na MP 665 não garante tranquilidade ao governo na aprovação do ajuste, dizem analistas

sexta-feira, 8 de maio de 2015 20:02 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A aprovação na Câmara dos Deputados da medida provisória 665, que altera regras de acesso ao seguro-desemprego, embora tenha sido um alívio e uma vitória para o governo da presidente Dilma Rousseff, não significa o fim das dificuldades do governo no Congresso, especialmente para as demais votações das medidas de ajuste fiscal, na avaliação de analistas.

Com baixa popularidade e sofrendo com a tensão constante entre os dois maiores partidos da coalizão governista, PT e PMDB, o governo deverá novamente sofrer para aprovar a MP 665 no Senado, a medida provisória 664, que muda regras de acesso a benefícios previdenciários, e o projeto que retira parte da desoneração da folha de pagamento, que ainda serão analisados na Câmara.

"Foi uma vitória muito importante do governo nesse momento de rearticulação, ainda mais se a gente levar em conta que a presidente da República, segundo as pesquisas, está em seu pior momento em termos de aprovação popular", disse à Reuters o cientista político Rubens Figueiredo, do Cepac.

"Você tem um Congresso aprovando medidas impopulares enviadas por uma presidente impopular. Isso não é pouco", afirmou Figueiredo.

"Cada votação vai demandar um esforço específico (do governo) para essa votação. Eu acho que essa vitória apertada não garante outras vitórias", ressalvou.

O governo editou essas medidas no final do ano passado no âmbito do esforço de reequilibrar as contas públicas. A aprovação das MPs é considerada essencial para o governo cumprir a meta de superávit primário, equivalente a 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem sido presença constante nas reuniões para negociar a aprovação das medidas de ajuste e desempenhou papel importante no convencimento de parlamentares ao apontar as consequências que a rejeição do ajuste teria para a economia.

Ainda assim, a mudança nas regras do seguro-desemprego teve uma tramitação tumultuada na Câmara, marcada pela tensão entre petistas e peemedebistas e deserções na base aliada, o que culminou com a aprovação da medida por uma margem estreita de votos e com o apoio de alguns deputados do DEM, um dos partidos mais ferrenhos na oposição a Dilma.   Continuação...