ENFOQUE-Mercado de crédito podre cresce no Brasil, mas recuperar dinheiro fica mais difícil

sexta-feira, 8 de maio de 2015 21:20 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O cenário desafiador para a economia brasileira deve elevar o volume de ofertas de carteiras de crédito problemáticas, corroborando o desenvolvimento de um mercado ainda relativamente incipiente no Brasil.

Um esperado efeito favorável nas negociações da taxa de desconto desses portfólios de empréstimos inadimplentes em razão de potencial oferta maior pode, contudo, ser contrabalançado pela dificuldade na retomada dos créditos.

"A piora do cenário econômico acelera a decisão (de venda de carteiras), mas a dificuldade de cobrança também é maior", disse o presidente da Recovery, Flávio Suchek. A empresa tem o BTG Pactual como maior acionista e se diz líder na gestão e administração de portfólios de créditos em atraso no Brasil.

O executivo não precisou uma taxa média de recuperação, mas destacou que o segmento de pequenas e médias empresas e o núcleo de pessoa física sem garantia (cheque especial e cartão) são os mais afetados em um primeiro momento. E disse já observar pedidos de prazos maiores nas negociações com os endividados.

"Há uma defasagem entre a economia e o impacto real nas pessoas. O país está em um começo de ciclo de aumento de desemprego, a confiança dos consumidores e empresários continua caindo... A grande dúvida é qual o tamanho dessa piora."

Na Recovery, 70 por cento do portfólio total de cerca de 40 bilhões de reais é de créditos inadimplentes voltados para o varejo, que inclui cartão de crédito, cheque especial e financiamentos de veículos.

A taxa de desemprego subiu a 7,9 por cento no primeiro trimestre deste ano na comparação com os três meses anteriores, maior patamar em dois anos.

Em abril, a confiança da indústria caiu pelo terceiro mês seguido no país. Também no mês passado, a confiança do consumidor quebrou uma série de três quedas, mas o primeiro resultado positivo do ano ainda é insuficiente para apontar uma mudança na tendência, de acordo com a Fundação Getulio Vargas, que complia os dados.   Continuação...