Governo federal estuda elevar taxa de retorno de concessões de rodovias, dizem fontes

terça-feira, 12 de maio de 2015 11:24 BRT
 

Por Leonardo Goy e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal quer tornar mais atrativas para os investidores as próximas concessões de rodovias e para isso pode elevar a taxa de retorno dos projetos e até mesmo flexibilizar as exigências de investimentos, disseram à Reuters fontes que acompanham o assunto.

As mudanças devem fazer parte do novo pacote de infraestrutura, voltado principalmente para a área de logística, que deve ser lançado em breve pelo governo em uma nova tentativa de retomar a confiança do mercado e elevar o nível de investimento na economia.

"Algum ajuste terá de ser feito. Isso ainda está sendo estudado, mas há várias maneiras de equacionar. Pode-se alongar o prazo para a duplicação (de rodovias), por exemplo", disse uma das fontes diretamente envolvida nas discussões e que falou sob a condição de anonimato.

Os estudos para tornar as concessões mais atraentes ocorre em um momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve reduzir seu limite de financiamento de novos projetos de infraestrutura e ainda elevar a taxa de juros, em meio a um ajuste das contas públicas.

O limite de financiamento do BNDES pode cair de 70 para 50 por cento do valor total dos investimentos de cada projeto, disseram duas fontes da área econômica e um executivo do BNDES à Reuters na semana passada.

Além disso, grandes empreiteiras brasileiras estão enfrentando um período mais delicado por conta de envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

As concessões de rodovias leiloadas no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff exigiam que as empresas concluíssem em cinco anos as duplicações previstas nos editais.

Com a piora das condições de financiamento, o governo pode abrir mão dessa exigência. "Discute-se a revisão desse prazo. Mas há muita gente dentro do governo que ainda não concorda", disse uma fonte da equipe econômica.   Continuação...